Dr. Guilherme Renke é destaque na revista GQ Brasil

 

Na última edição da revista GQ Brasil, uma matéria especial sobre os destaques médicos brasileiros, incluiu o médico Guilherme Renke que contou um pouco mais de sua história e abordagem médica. A entrevista aconteceu em São Paulo com clima descontraído Dr. Renke contou um pouco mais de sua trajetória e detalhes da vida pessoal para a reporter Juliana Vaz.

“Aos 15 anos tive um problema de saúde endocrinológico relacionado com o ciclismo, tive inclusive que operar mais velho. Foi um susto, quase fiquei infértil. Mas também nesse momento me apaixonei pela endocrinologia, disse Guilherme.“

Durante a entrevista Guilherme também foi questionado a sua abordagem médica. Rapidamente ele respondeu: “devido as minhas diversas especializações atualmente trabalho como um clínico geral obviamente dentro do meu conhecimento, mas lembro sempre aos meus pacientes que saúde não é ausência de doenças“.

Na nossa clínica, a nutrindo ideais, abordamos todos os aspectos da saúde do paciente: a parte física, a mental e o desejo do paciente. Dessa forma, as consultas normalmente são seguidas de avaliações físicas com o profissional de educação física, o nutricionista e com a equipe de saúde mental. Por isso, numa primeira vez o paciente pode ficar até 3 a 4 horas dentro da clínica nessas consultas.

“Nosso grande objetivo é transformar a vida das pessoas, a medicina da atualidade requer que o paciente seja o protagonista de sua própria cura e não o médico, salientou Guilherme“

Dr. Renke ainda participou nessa mesma edição de um matéria sobre vegetarianismo no esporte. Segundo ele atletas de alto rendimento podem sim ser veganos, por exemplo. “É um mito que veganos possuem deficiências nutricionais, pessoas que comem carne muitas vezes tem deficiências muito mais profundas que um vegetariano, por isso a importância do acompanhamento do especialista“, afirmou o médico.

Dr. Guilherme Renke fala sobre café da manhã saudável no programa Bem Estar

Dr. Guilherme Renke participou do programa Bem Estar da Rede Globo que foi transmito ao vivo para todo país. O médico falou sobre a importância de um café da manhã saudável contendo equilíbrio dos três macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras). O médico também destacou a importância da proteína no café da manhã, segundo ele a ingesta da proteína é a mais eficaz em diminuir o hormônio que mantém nosso apetite alto, a Grelina. Esse hormônio é produzido no nosso estômago quando estamos muito tempo de jejum, por exemplo após uma noite de sono. Portanto pela manhã os níveis de Grelina são altos e sua diminuição está correlacionada com a ingesta alimentar e posterior diminuição do apetite.

Outro detalhe discutido no programa foi de estudos mostrando que tomar café da manhã antes das atividades físicas prepara o organismo para queimar mais carboidratos e digerir mais rapidamente os alimentos após o exercício. A análise sugere que tomar café da manhã antes do exercício prepara o corpo tanto no armazenamento rápido dos nutrientes quanto na alimentação após a atividade. Veja matéria completa aqui

 

Adultos com estresse crônico são mais propensos à obesidade persistente

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o aumento da mortalidade em todo o mundo, aumentando substancialmente o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como as doenças cardíacas e o câncer. Os fatores que promovem o aparecimento ou a manutenção da obesidade tem importantes implicações terapêuticas. A obesidade é muitas vezes acompanhada por outras doenças, incluindo hipertensão arterial, resistência à insulina e a dislipidemia, conhecida como a síndrome metabólica – doença caracterizada pela extrema produção do hormônio do estresse (cortisol).

Os sintomas da síndrome metabólica são muito semelhantes aos da síndrome de Cushing, uma doença caracterizada pela extrema produção endógena do hormônio do estresse, o cortisol.

O cortisol tem uma ampla gama de efeitos fisiológicos em todo o corpo humano e desempenha um papel no metabolismo da glicose e dos lipídios. Sua secreção se relaciona com a composição corporal do indivíduo e também participa de respostas imunossupressoras e anti-inflamatórias. É possível que a hiperativação a longo prazo do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), sistema neuroendócrino que regula os níveis de cortisol, possa contribuir para o desenvolvimento da obesidade e da síndrome metabólica em indivíduos saudáveis.
Exposição ao estresse.

A exposição a um estresse fisiológico ou psicológico ativa o eixo HPA, resultando na liberação do cortisol. O estresse crônico e, portanto, os níveis cronicamente elevados de cortisol podem promover a obesidade através de efeitos na acumulação de gordura. Os efeitos do cortisol são mediados por receptores de glicocorticóides, que têm uma concentração particularmente elevada no tecido adiposo visceral. Na presença da insulina (outro hormônio responsável pelo metabolismo da glicose), o cortisol promove a acumulação de triglicerídeos e o aumento da gordura visceral, o que resulta em aumento da gordura abdominal.

A pesquisa recente publicada na revista Obesity mostrou que adultos que são cronicamente estressados estão mais propensos à obesidade persistente. Nesse estudo foram encontradas maiores concentrações de cortisol no cabelo de indivíduos com um índice de massa corporal (IMC) maior do que 30, ou seja, em indivíduos obesos grau I ou mais.
Um estudo transversal também relacionou esses níveis cronicamente elevados de cortisol com à persistência da obesidade ao longo de 4 anos.

O cortisol é um hormônio secretado pela glândula adrenal, sendo responsável por mediar processos metabólicos fundamentais para a vida. Sua secreção eleva-se também em momentos de exigência física ou mental como, por exemplo, nos exercícios físicos e no estresse psicológico, respectivamente. De fato, estudos anteriores já haviam mostrado essa relação do cortisol com a obesidade, mas as dosagens do cortisol basearam-se na urina, na saliva e em amostras de sangue.

De acordo com a pesquisadora Sarah Jackson, PhD, da University College London, para avaliar as concentrações de cortisol a longo prazo, esses métodos não são os mais adequados. Segundo Sara, o cortisol dosado no cabelo é uma medida relativamente nova mas que pode oferecer um método mais adequado para avaliar cronicamente altos níveis de concentrações de cortisol e sua relação com a obesidade.

Ao longo de quatro anos do estudo, os níveis mais baixos de cortisol foram encontrados entre os participantes não obesos, em comparação com os maiores níveis encontrados nos participantes obesos. Segundo os pesquisadores, “isso sugere que a exposição crônica ao cortisol em altos níveis pode desempenhar um papel importante na manutenção da obesidade”.

A análise final incluiu dados de 2.527 participantes, homens e mulheres, com idade acima dos 54 anos que participaram do Estudo Longitudinal Inglês do Envelhecimento (ELSA). Os pesquisadores ainda relacionaram os altos níveis de cortisol no cabelo a outros fatores antropométricos, incluindo peso total circunferência abdominal (p <0,001). Eles destacaram esses achados como clinicamente relevantes, devido às relações previamente estabelecidas entre adiposidade abdominal e risco de doença arterial coronariana e o diabetes tipo 2.

Existem evidências na literatura clínica mostrando que as condições extremas de hipercortisolismo (síndrome de Cushing) e hipocortisolismo (doença de Addison) levam à obesidade central e perda de peso, respectivamente. Isso pode sugerir que o aumento da exposição sistêmica ao cortisol pode ser um fator determinante por trás desta associação.

Pesquisas futuras serão necessárias para analisar ainda mais o papel da exposição crônica ao cortisol no desenvolvimento da obesidade e até que ponto possa também haver uma associação reversa entre o sobrepeso e a secreção de cortisol.

Referências:
1 – Jackson S, et al “Hair cortisol and adiposity in a population-based sample of 2,527 men and women aged 54 to 87 years” Obesity 2017; DOI: 10.1002/oby.21733.
2 – Grundy SM, Cleeman JI, Daniels SR, et al. Diagnosis and management of the metabolic syndrome. An American Heart Association/National Heart, Lung, and Blood Institute scientific statement. Circulation 2005;112:2735-2752.
3 – Anagnostis P, Athyros VG, Tziomalos K, Karagiannis A, Mikhailidis DP. The pathogenetic role of cortisol in the metabolic syndrome: a hypothesis. J Clin Endocrinol Metab 2009;94:2692-2701.

Obesidade pode ser fator de risco para desenvolvimento de câncer, diz estudo

Obesidade pode ser fator de risco para desenvolvimento de câncer, diz estudo

A obesidade tornou-se o principal fator de risco para todas as doenças em todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, atualmente cerca de 70% de todos os adultos estão com sobrepeso (IMC 25kg/m2) e 36% estão obesos (IMC 30kg/m2). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), além dos EUA outros países em todo o mundo apresentam alta prevalência de sobrepeso e obesidade. Pior ainda é o aumento contínuo da prevalência da obesidade no Brasil visto ao longo das últimas décadas.

O excesso de peso e a obesidade têm sido associados com o risco aumentado de mortalidade, de câncer e outras doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares. Só nos EUA, mais de 100 mil casos de câncer foram atribuídos ao sobrepeso e à obesidade no ano de 2012. A maioria dos casos inclui câncer de mama na pós-menopausa, adenocarcinoma do esófago, pancreático, colo-rectal, renal, do endométrio, dos ovários e da vesícula biliar.

Um estudo recente, analisou a forma como o tempo, duração e intensidade do excesso de peso e obesidade podem ter impacto sobre o risco de câncer, tendo em conta informações importantes sobre outros fatores relacionados à obesidade, como atividade física, dieta, tabagismo, uso de hormônios, e história diabetes. De um total de 73.913 mulheres incluídas no estudo, foram reportados mais de 6.300 casos de câncer relacionados com a obesidade, sendo diagnosticados durante um seguimento médio de 12 anos.

“Esse estudo foi importante, pois constatou que o excesso de peso por um longo período durante a vida adulta aumentou a incidência de todos os tipos de câncer relacionados com a obesidade em 7%.”

Além disso, esse estudo traz uma enorme reflexão: obesidade em mulheres pós-menopausa aumenta consideravelmente o risco de câncer a longo prazo. Segundo os pesquisadores: “descobrimos que os riscos de câncer de mama e endométrio na pós-menopausa estão relacionados com a duração de sobrepeso e obesidade.

A associação entre obesidade e câncer de mama é demonstrada também em outro estudo randomizado publicado no JAMA em 2015, que usou dados do WHI (Iniciativa da Saúde da Mulher) sugerindo uma associação positiva remanescente entre obesidade e o risco de câncer em mulheres pós-menopausa.

Esta descoberta e estes estudos destacam a importância da prevenção da obesidade em todas as idades, e de início precoce especialmente nas mulheres. A obesidade e o sobrepeso são multifatoriais, sendo necessário um tratamento multidisciplinar harmônico entre o médico, o nutricionista, o profissional de educação física e o psicólogo.

Qual é a diferença entre emagrecer e modificar a composição corporal?

A avaliação do peso e da altura é muito comum em nossa sociedade. Desde a infância, mantemos um “controle” do nosso desenvolvimento físico baseado nessas medidas. Elas são periodicamente feitas, avaliadas e relacionadas ao estado de saúde do individuo.

No entanto, limitar a investigação do desenvolvimento físico ao peso e à altura de um individuo, ou mesmo à relação entre estas duas medidas como, por exemplo, o IMC (índice de massa corporal), pode ser insuficiente para uma analise fiel da composição corporal de uma pessoa.

Porque o “peso ideal“ não existe?

Imaginar um “peso ideal“ é algo totalmente obsoleto. Imagine que aos 20 anos de idade um indivíduo pode ter 50Kg de peso com uma boa massa muscular e um baixo percentual de gordura, ou seja, a massa de músculo supera a massa de gordura o que é fisiológico. No entanto, esse mesmo indivíduo pode chegar aos 40 anos de idade tendo os mesmos 50kg de peso, mas dessa vez a sua composição corporal pode ser totalmente diferente: baixa massa muscular e um alto percentual de gordura, ou seja, a massa de gordura supera a massa de músculo o que está relacionado com quadros de síndrome metabólica, obesidade e resistência à insulina.

Porque ter massa muscular adequada favorece o nosso metabolismo?

Numa balança comum, um quilo de músculo é igual a um quilo de gordura. Já em termos metabólicos, são estruturas completamente diferentes. Metabolismo é o conjunto de reações bioquímicas e físicas que ocorrem em um organismo vivo. De fato, o modo de funcionamento do nosso organismo e, tudo que precisamos para ter saúde, depende da manutenção de um bom metabolismo. E isso está intimamente relacionado à composição corporal, o excesso ou a deficiência de gordura corporal geralmente está associado com o mal funcionamento do organismo, predispondo a doenças crônico-degenerativas. Já a manutenção de níveis adequados de gordura em relação aos músculos, ossos e órgãos, é o desejado e está associado à melhor qualidade de vida e prevenção de diversas doenças doenças. Segundo o médico Higor Vieira especializado em Nutrologia, fica claro que “é importante entender com mais detalhes a composição corporal e identificar se o peso mostrado na balança é composto por gordura ou músculo. Isso é fundamental para analisar a condição real da sua saúde, avaliar riscos e montar uma conduta terapêutica específica e eficaz.“

Porque a gordura é importante?

Ao contrario do que muitos pensam, a massa de gordura composta pelos adipócitos (células de gordura) não é inerte. Ela desempenha papel importante no controle do metabolismo e na harmonia do sistema hormonal do nosso corpo. Assim como a massa muscular, o tecido adiposo também contribui para a nossa taxa metabólica basal, ou seja, o nosso gasto calórico diário. Os adipócitos secretam mais de 400 substancias diferentes, as chamadas Adipocinas são importantes no controle do apetite, da glicemia e no estímulo a secreção da insulina. Uma das adipocinas mais importantes é a Adiponectina um hormônio secretado, não só pelo tecido gorduroso mas também pelas células cardíacas (cardiomiócitos). Indivíduos obesos possuem uma importante diminuição da secreção da Adiponectina o que está relacionado com doenças metabólicas, cardiovasculares e cerebrovasculares. Por isso, uma pessoa obesa está sujeita ao risco de desenvolver diversas doenças e, também, desenvolver alterações hormonais como, por exemplo, a prevalência estrogênica pelo aumento da enzima aromatase produzida pelo tecido adiposo.

Como avaliar a minha composição corporal?

Hoje existem à disposição variados métodos de composição corporal. A medida das dobras cutâneas, a bioimpedância, a densitometria corporal (DEXA) e a medida e relação de perímetros (relação cintura-quadril) têm sido os métodos mais utilizados. Em todos estes existem indicações e limitações. Devem ser avaliados e escolhidos pelo profissional responsável pelo tratamento, que deve considerar a individualidade do organismo que está sendo tratado e propor o método mais viável e eficiente.

 

Referências científicas:

  1. Guo SS, Wu W, Chumlea WC, Roche AF 2002 Predicting overweight and obesity in adulthood from body mass index values in childhood and adolescence. Am J Clin Nutr 76:653–658
  2. Nader PR, O’Brien M, Houts R, Bradley R, Belsky J, Crosnoe R, Friedman S, Mei Z, Susman EJ 2006 Identifying risk for obesity in early childhood. Pediatrics 118:e594–601
  3. Freedman DS, Mei Z, Srinivasan SR, Berenson GS, Dietz WH 2007 Cardiovascular risk factors and excess adiposity among overweight children and adolescents: the Bogalusa Heart Study. J Pediatr 150:12–17.e2
  4. Baker JL, Olsen LW, Sorensen TI 2007 Childhood body-mass index and the risk of coronary heart disease in adulthood. N Engl J Med 357:2329–2337
  5. Sinha R, Fisch G, Teague B, Tamborlane WV, Banyas B, Allen K, Savoye M, Rieger V, Taksali S, Barbetta G, Sherwin RS, Caprio S 2002 Prevalence of impaired glucose tolerance among children and adolescents with marked obesity. N Engl J Med 346:802–810

Deficiência de vitamina B12 pode levar a quadro de anemia e outros sintomas

A importância da Vitamina B12

A B12 ou a cobalamina é uma vitamina fundamental para o metabolismo do nosso organismo. Ela é única por possuir um oligoelemento na sua estrutura, o cobalto, que forma uma molécula complexa coordenada por um anel de corrina.

A cobalamina é necessária para a metilação de mielina, neurotransmissores, e fosfolípidios de membrana, ou seja, ela é essencial para a integridade dos sistemas nervosos central e periférico. Além disso, a vitamina B12 participa da formação das hemácias, a eritropoiese, e sua deficiência pode causar a anemia megaloblástica (onde o volume corpuscular médio da hemácia está aumentado). A anemia megaloblástica, quando de origem autoimune com a ausência do fator intrínseco levando ao distúrbio de absorção da vitamina B12 é denominada anemia perniciosa.

Apesar de sua importância a deficiência de vitamina B12 é muito comum na população como mostram estudos, podendo chegar a 20% da população dos EUA e até 40% dos pacientes idosos hospitalizados. Isso ocorre pois a absorção da cobalamina é extremamente complexa e pode ser prejudicada pelo tipo de dieta do indivíduo, por atrofia da mucosa gástrica levando a diminuição da produção do fator intrínseco, pelo diminuição do poder de absorção no íleo que está relacionada com a microbiota intestinal, com uso de medicamentos que diminuem a sua absorção e com cirurgias como a bariátrica para redução do peso.

Algumas patologias também estão associadas com a deficiência da vitamina B12, um exemplo é o hipotireoidismo como mostra o estudo de Jabbar et al 2008 onde estimou-se em 40% a prevalência de deficiência de vitamina B12 em pacientes com hipotireoidismo.

Uma deficiência silenciosa

Essa deficiência é tipicamente assintomática e descoberta normalmente através da analise laboratorial. No entanto, estudos mostram que alterações neurológicas, cognitivas e alterações psicológicas também ocorrem em indivíduos com moderada deficiência de vitamina B12 (níveis séricos de vitamina B-12 entre 107-210 pmol /L).

Nos idosos a deficiência de vitamina B12 tipicamente se apresenta como distúrbios sensoriais nas extremidades (formigamento e dormência) e perda de vibração e senso de posição articular, juntamente com problemas de motor e anomalias da marcha, cognição prejudicada, e depressão. Manifestações neurológicas e cognitivas de grave deficiência de B12 são em grande parte sensíveis ao tratamento injetável com vitamina B12 (injeção intramuscular repetida), embora a melhoria pode levar algum tempo.

A vitamina B12 parece ter intima relação com o sobre peso. Um estudo muito interessante evidencia uma associação entre baixos níveis de vitamina B12 com obesidade e resistência à insulina na gestação em pacientes não diabéticas. Esses achados são importantes pois podem ter implicações graves na saúde de gestantes sobrepeso, portanto a avaliação da vitamina B12 pode ser uma estratégia preventiva importante.

As diferentes formas da vitamina B12

Várias formas de B12 são formadas de acordo com as moléculas que se ligam com a cobalamina. Estes conjuntos podem explicar as diferentes denominações das várias formas de vitamina B12. Um exemplo é a metilcobalamina, resultado de uma ligação entre a cobalamina e o radical metil, já a cianocobalamina é o resultado da união dos grupos ciano e cobalamina.

No organismo, a vitamina B12 atua como uma coenzima: uma molécula cuja função bioativa é possível pela ação de outras enzimas. No entanto, existem apenas duas formas de vitamina B12, que são coenzimas ativas no corpo, são elas: a metilcobalamina a adenosilcobalamina.

Outras duas formas de cobalamina podem pode ser metabolizadas como “bioativas” pelo organismo: a cianocobalamina e a hidroxicobalamina. Elas não são diretamente ativas, mas são precursores para a formação de coenzimas biodisponíveis.

Como ocorre a absorção da vitamina B12?

Nos alimentos de origem animal (carne vermelha, peixes, ovos, etc…) a vitamina B12 está ligada as proteínas. No estômago ocorre a separação da B12 devido ao baixo PH <2,0. Em resposta a ingesta ocorre a liberação da haptocorrina que liga-se a B12 para a proteção contra o ácido clorídrico produzido pelo estômago. As células parietais produzem o fator intrínseco que se liga com a B12 tornando possível a sua absorção no íleo. Após absorvida, no fígado a B12 é ligada a uma proteína transportadora chamada transcobalamina e distribuída pelo organismo.

Medicamentos podem causar a deficiência de vitamina B12?

Sim, recentemente um estudo publicado no jornal da Endocrine Society mostrou que a deficiência de Vit B12 pode estar relacionada com o uso da Metformina. Como esse medicamento é prescrito e utilizado em larga escala por indivíduos com diabetes 2 a avaliação da cobalamina deve ser feita de rotina por esses pacientes.

Outro medicamento que está relacionado com a deficiência de vitamina B12 são os inibidores da bomba de próton, como o omeprazol. Esses medicamentos diminuem a produção do fator intrínseco que é necessário para a absorção da vitamina B12. Estudo publicado no JAMA em 2013 mostra que o uso contínuo desses medicamentos está relacionado com deficiência de vitamina B12.

Porque uma alimentação vegetariana pode causar deficiência de vitamina B12?

Sim, existe uma grande polêmica com relação a essa relação. É sabido que uma alimentação vegetariana pode trazer diversos benefícios para a saúde, no entanto é observada maior prevalência da deficiência de vitamina B12 a longo prazo nesses indivíduos. A vitamina B12 não é produzida pelas plantas, apesar disso formas análogas da vitamina B12 podem ser encontradas nos vegetais. Alguns estudos mostram que mais de 50% dos vegetarianos e veganos nesse regime há muito tempo possuem deficiência de vitamina B12. Isso porque os análogos da vitamina B12, também denominadas de “pseudovitaminas B12”, são moléculas muito semelhantes a B12 do ponto de vista estrutural, mas que não estão na forma ativa. Assim estas moléculas são muitas vezes prejudiciais para o organismo porque previnem ou inibem a absorção de formas ativas de vitamina B12 devido a sua ligação com o fator intrínseco. Pequenos ensaios clínicos mostram o contrário, que algumas algas como clorela são eficientes como fonte de vitamina B12 para vegetarianos. Apesar disso, a recomendação ainda é a suplementação com acompanhamento médico e nutricional para os vegetarianos e, principalmente, os veganos quando há a deficiência de B12.

Segundo a nutricionista Luna Azevedo, especializada em fitoterapia: “os veganos encontram a B12 em alimentos fortificados e por meio da suplementação oral ou injetável. Nesses casos, a origem da B12 é sintética (produzida por bactérias). A suplementação sempre deve ser feita com orientação profissional, pois cada organismo tem a sua dose e especificidade encontradas em análises dos exames laboratoriais. Existe uma crença de que as algas possuem B12, principalmente a nori, mas isso é um mito. Assim como a Spirulina, uma cianobactéria, a vitamina B12 proveniente de fonte vegetal são análogos de B12, semelhante em estrutura, mas não biologicamente ativa. Vale informar que a fermentação de grãos não produz B12 nos alimentos e que os alimentos orgânicos também não possuem essa vitamina.“

Importante lembrar que estudos que avaliaram comprimidos de Spirulina comprovaram que, apesar de parecer conter cerca de 0,25 a 1 mg de vitamina B12 por comprimido, mais de 80% do que parece ser “vitamina B12” – por ensaio microbiológico – é, na verdade, pseudovitamina B12. Ou seja, a spirulina continha uma pequena quantidade de vitamina B12 activa na ligação do fator intrínseco. Sendo assim, sua biodisponibilidade é questionável.

Qual a nossa necessidade diária de Vitamina B12?

A vitamina B12 é a única encontrada somente em alimentos de origem animal como: ostras, peixes, ovos, carne vermelha e de fígado, crustáceos e derivados do leite. Precisamos absorver (transportar do intestino para o sangue) 1 mcg de B12 por dia. Como a absorção dessa vitamina é cerca de 50% da quantidade ingerida, a recomendação de ingestão é dobrada e acrescida de uma margem de segurança.

IDADE:

0 a 6 meses: 0,4 mcg/dia

6 a 12 meses: 0,5 mcg/dia

1 a 3 anos: 0,9 mcg/dia

4 a 8 anos: 1,2 mcg/dia

09 a 13 anos: 1,8 mcg/dia

Acima de 14 anos: 2,4 mcg/dia

Gestação: 2,6 mcg/dia

Lactação: 2,8 mcg/dia

 

Referências:

  1. Aroda et al. Long-term Metformin Use and Vitamin B12 Deficiency in the Diabetes Prevention Program Outcomes Study. The Journal of Clinical Endocrinology e Metabolism Vol 101 – 2016. http://dx.doi.org/10.1210/jc.2015-3754
  2. Knight B. et al. Lower Circulating B12 Is Associated with Higher Obesity and Insulin Resistance during Pregnancy in a Non-Diabetic White British Population. Plos One August 19, 2015 http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0135268
  3. Lam J et al. Proton Pump Inhibitor and Histamine 2 Receptor Antagonist. JAMA. 2013;310(22):2435-2442. doi:10.1001/jama.2013.280490.
  4. Merchant R et al. Nutritional Supplementation with Chlorella pyrenoidosa Lowers Serum Methylmalonic Acid in Vegans and Vegetarians with a Suspected Vitamin B₁₂ Deficiency. J Med Food. 2015 Dec;18(12):1357-62
  5. Jabbar A et al. Vitamin B12 deficiency common in primary hypothyroidism. J Pak Med Assoc. 2009 Feb;59(2):126.
  6. Watanabe F, Katsura H, Takenaka S, Fujita T, Abe K, Tamura Y, Nakatsuka T, Nakano Y. Pseudovitamin B(12) is the predominant cobamide of an algal health food, spirulina tablets. J Agric Food Chem. 1999 Nov;47(11):4736-41.
  7. Yamada K, Yamada Y, Fukuda M, Yamada S. Bioavailability of dried asakusanori (porphyra tenera) as a source of Cobalamin (Vitamin B12). Int J Vitam Nutr Res. 1999 Nov;69(6):412-8
  8. Treuesdell, D. D., Green, N. R. and Acosta, P. B. (1987), Vitamin B12 Activity in Miso and Tempeh. Journal of Food Science, 52: 493–494. doi: 10.1111/j.1365-2621.1987.tb06650.x
  9. Yamada S, Shibata Y, Takayama M, Narita Y, Sugawara K, Fukuda M. Content and characteristics of vitamin B12 in some seaweeds. J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo). 1996 Dec;42(6):497-505.
  10. Dagnelie PC, van Staveren WA, van den Berg H. Vitamin B-12 from algae appears not to be bioavailable. Am J Clin Nutr. 1991;53:695-7.
  11. Carmel R, Karnaze DS, Weiner JM. Neurologic abnormalities in cobalamin deficiency are associated with higher cobalamin ‘analogue’ values than are hematologic abnormalities. J Lab Clin Med. 1988 Jan;111(1):57-62
  12. Murphy, M. F., Sourial, N. A., Burman, J. F., Doyle, D. V., Tabaqchali, S. and Mollin, D. L. (1986), Megaloblastic anaemia due to vitamin B12 deficiency caused by small intestinal bacterial overgrowth: possible role of vitamin B12 analogues. British Journal of Haematology, 62: 7–12. doi: 10.1111/j.1365-2141.1986.tb02894.x
  13. J. Fred Kolhouse, M.D., Haruki Kondo, M.D., Nancy C. Allen, R.N., Elaine Podell, A.B., and Robert H. Allen, M.D. „Cobalamin Analogues Are Present in Human Plasma and Can Mask Cobalamin Deficiency because Current Radioisotope Dilution Assays Are Not Specific for True Cobalamin“ N Engl J Med 1978; 299:785-792October 12, 1978DOI: 10.1056/NEJM197810122991501
  14. Kittaka-Katsura H, Fujita T, Watanabe F, Nakano Y. Purification and characterization of a corrinoid compound from Chlorella tablets as an algal health food. J Agric Food Chem. 2002 Aug 14;50(17):4994-7
  15. Wattanabe et al. Pseudovitamin B12 Is the Predominant Cobamide of an Algal Health Food, Spirulina Tablets. J. Agric. Food Chem., 1999, 47 (11), pp 4736–4741.

 

Avanço da reposição hormonal pode favorecer mulheres na menopausa

Menopausa: quais os avanços na terapia de reposição hormonal?

Estima-se que em 2020 nos EUA, aproximadamente 50 milhões de mulheres terão mais de 51 anos de idade. Essa é a idade média em que ocorre a menopausa e chegar nesse momento não é nada fácil para algumas dessas mulheres. Mais da metade delas vai apresentar algum sintoma do climatério, desde ondas de calor ou suores noturnos até sintomas mais intensos como a mudança no humor, dificuldade de concentração, cansaço excessivo e, até, alterações de memória a curto prazo.

Apesar dos tratamentos alternativos disponíveis, o tratamento mais efetivo para esses sintomas é a terapia de reposição hormonal. Mas, dois estudos recentes mostram que apesar da disponibilidade desses tratamentos hormonais sabidamente eficazes para a menopausa poucas mulheres com estes sintomas são avaliadas ou tratadas corretamente.

Porque no passado a terapia de reposição hormonal foi relacionada ao câncer de mama?

O uso da terapia de reposição hormonal para mulheres pós menopausa caiu mais de 80% desde a divulgação dos achados iniciais do estudo Women’s Health Initiative (WHI) publicado em 2002. O WHI mostrou uma associação entre o tratamento hormonal de Estrogênio Conjugado Equino (CEE) + Medroxiprogesterona (MPA) com maior risco de câncer de mama, trombose venosa profunda, AVC e doença arterial coronariana.

No entanto, segundo artigo recente da prestigiada New England Journal of Medicine (NEJM) mesmo após 14 anos do WHI seus resultados ainda estão sendo usados inapropriadamente para se tomar decisões quanto a terapia de reposição hormonal. Isso porque no WHI as mulheres estudadas tinham em média 63 anos de idade e hoje as mulheres estão sendo tratadas com muito menos, em média entre 40 e 50 anos de idade. Outras críticas feitas são com relação aos tipos hormonais utilizados há 14 anos que são totalmente diferentes dos utilizados atualmente na terapia de reposição hormonal, as dosagens atuais são mais baixas e a via de administração também é diferente.

Porque a terapia de reposição hormonal é importante e segura para as mulheres?

O American College of Obstetricians and Gynecologists, a Endocrine Society e as Sociedades Brasileiras suportam o uso de terapia de reposição hormonal em mulheres sintomáticas, com diagnóstico recente da menopausa e que não possuem contra-indicações como: histórico familiar para o câncer de mama e/ou doença cardiovasculares. Além disso, é sabido que o risco absoluto de eventos adversos é muito menor em mulheres mais jovens do que as tratadas tardiamente. É o que evidencia outro estudo recente do NEJM onde as mulheres tratadas precocemente, até 6 anos após a menopausa, com Estradiol possuem uma redução da progressão da arterosclerose (enrijecimento dos vasos) em comparação com as mulheres que iniciam a terapia após 10 anos da menopausa ou as que não fazem a reposição hormonal. Diversos estudos evidenciam, também, que o Estradiol possui função importante no metabolismo ósseo e que a sua diminuição estaria relacionada com a maior incidência de osteoporose nas mulheres pós menopausa.

Os hormônios usados hoje são diferentes?

As novas formulações hormonais utilizadas atualmente possuem doses menores do que as usadas há 14 anos e a via de administração preferencial passou a ser transdérmica (gel). Estudos recentes mostram, também, a diferença dos efeitos entre o CEE utilizado no WHI e o Estradiol que é mais usado atualmente. Estudo retrospectivo publicado na Scientific Reports da conceituada Nature mostra que o uso do CEE está associado com maior risco de fibrilação atrial, AVC e eventos cardiovasculares adversos em relação ao Estradiol. Outro estudo publicado no JAMA mostra, também, que o uso do CEE foi associado com maior risco de trombose venosa profunda e possivelmente infarto agudo do miocárdio quando comparado com o uso do Estradiol.

Além disso, outro fator importante é que até 45% das mulheres pós-menopausa apresentam atrofia vaginal, situação que causa extremo efeito negativo na qualidade de vida sexual da mulher. Assim o advento do uso do estrogênio e da testosterona por via vaginal trouxe, também, resultados seguros e satisfatórios para essas mulheres como mostra o estudo de Stuenkel e colaboradores.

O uso da testosterona pode trazer benefícios ou é um risco para essas mulheres?

É importante lembrar que o uso da testosterona em baixas doses para mulheres pós-menopausa tem sido proposto para aquelas que, mesmo já em uso do estrogênio, ainda apresentam sintomas moderados ou graves da menopausa. O seu uso ainda é controverso e deverá ser avaliado individualmente pelo médico e por seu paciente. Muitos estudos são favoráveis ao uso da testosterona para mulheres pós menopausa, o estudo recente de Fernandes e colaboradores mostra que o uso da testosterona melhora significativamente o trofismo vaginal em mulheres pós menopausa. Outro estudo de Jovanovic e colaboradores mostra que a diminuição da produção de testosterona nas mulheres pós menopausa está ligada a maior ocorrência de depressão nesse grupo. Ainda, o estudo de Dimitrakakis e colaboradores mostra que a adesão ao tratamento com testosterona está relacionado com menor incidência do câncer de mama nas mulheres pós menopausa.

O tratamento da menopausa é multifatorial e mudanças no estilo de vida são fundamentais. Apenas o acompanhamento médico, na maioria das vezes, não é suficiente para a melhora dos sintomas da menopausa. A prática de exercícios físicos regulares, meditação, yoga, pilates, acupuntura e uma reeducação alimentar feita em conjunto com o nutricionista pode trazer enormes benefícios. Algumas mulheres podem, também, se beneficiar muito com a terapia cognitivo-comportamental feita com o psicólogo. Vale salientar a importância do médico capacitado para esclarecer e informar as opções terapêuticas disponíveis, os seus benefícios e os seus riscos, para que o manejo da menopausa seja sempre feito de forma individualizada.

Referências:

1 – JoAnn E. Menopause Management – Getting Clinical Care Back on Track. N Engl J Med 2016; 374:803-806. March 3, 2016

2 – Stuenkel CA et al. Treatment of symptoms of the menopause: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab 2015;100:3975-4011.

3 – Santen RJ et al. Competency in menopause management: whither goest the internist? J Womens Health (Larchmt) 2014;23:281-5.

4 – Gass ML, Stuenkel CA, Utian WH, LaCroix A, Liu JH, Shifren JL. Use of compounded hormone therapy in the United States: report of The North American Menopause Society Survey. Menopause 2015;22:1276-85

5 – Howard N. et al. Vascular Effects of Early versus Late Postmenopausal Treatment with Estradiol. N Engl J Med 2016; 374:1221-1231. March 31, 2016

6 – Tsai W, et al. Hormone replacement therapy and risk of atrial fibrillation in Taiwanese menopause women: A nationwide cohort study. Sci. Rep. 6, 24132; doi: 10.1038/srep24132 (2016).

7 – Smith N. et al Lower Risk of Cardiovascular Events in Postmenopausal Women Taking Oral Estradiol Compared With Oral Conjugated Equine Estrogens. JAMA Intern Med. 2014;174(1):25-34.

8 – Fernandes T. et al. Efficacy of vaginally applied estrogen, testosterone, or polyacrylic acid on vaginal atrophy: a randomized controlled trial. Menopause. 2016 Apr 13.

9 – Jovanovic H et al. Effects of estrogen and testosterone treatment on serotonin transporter binding in the brain of surgically postmenopausal women – a PET study. NeuroImage 2015, 106.

10 – Dimitrakakis C. et al. Reduced incidence of breast cancer in women adherent to testosterone or testosterone-anastrozole hormone therapy: updated interim analysis. Maturitas 2015 Vol 81, Issue 1, Page 189.

Compulsão alimentar nas mulheres é verdade ou mito?

 

Compulsão alimentar nas mulheres: uma verdade ou um mito? 
 
Diversos estudos tentam decifrar como ocorre o fenômeno da compulsão alimentar. Ela é muito 
comum, principalmente, entre as mulheres que afirmam ter uma “dependência alimentar” ou
serem “viciadas” em certos alimentos.
Atualmente, há muita controvérsia na comunidade científica sobre quais são os mecanismos 
relacionados com a dependência alimentar e como ela poderia contribuir para o sobrepeso e para a obesidade. Em contraste, o vício em comida é amplamente discutido na mídia e o apoio público para sua existência parece ser muito forte. De fato, o estudo de Lee e colaboradores de 2013 mostra que mais de 85 % das australianas e americanas acreditam que certos alimentos têm potencial viciante, e 72 % acreditam que o vício em comida é responsável por alguns casos de obesidade. Mais impressionante é o estudo de Meadwos & Higgs de 2013 que mostra que 52% das mulheres inglesas classificam-se como viciadas em alimentos. E como será que é no Brasil?
 
Compulsão Alimentar existe ela não é um mito!
 
A Compulsão Alimentar é um problema de saúde pública e, pior, é sub-diagnosticada pelos 
médicos. O estudo Kessler e colaboradores publicado em 2013 pelo Instituto Nacional de Saúde
dos EUA (NIH) mostra que a Compulsão Alimentar representa um problema de saúde pública,
pelo menos, igual a Bulimia Nervosa. Eles ainda ressaltam a importância clínica de questionar os pacientes sobre problemas alimentares, mesmo quando esses não estão incluídos entre as
queixas apresentadas ao médico em consultas.
 
Segundo o médico Higor Caldato, psiquiatra com formação em Transtornos Alimentares pela 
UFRJ, um episódio de compulsão alimentar acontece quando uma pessoa ingere uma quantidade de comida muito maior do que a maioria das pessoas comeriam em um mesmo intervalo de tempo; e acontece com uma sensação de descontrole, sem conseguir evitar comer ou para de comer. Além disso, segundo o psiquiatra a pessoa pode comer muito mais rapidamente que o habitual, sentir-se desconfortavelmente cheia, ingerir alimentos sem sentir de fato fome.
 
O psiquiatra ainda esclarece que: “frequentemente estes episódios são seguidos por sofrimento, 
depressão ou culpa. As pessoas que apresentam transtorno de compulsão alimentar geralmente
sentem vergonha de seus problemas alimentares e tentam ocultar os sintomas”. Assim, a doença acaba ocorrendo em segredo ou o mais discretamente possível, atrasando muitas vezes, a busca pelo adequado tratamento. Sem o devido tratamento, os pacientes continuam a sofrer calados.
 
Como a ciência explica a Compulsão Alimentar?
 
A Compulsão Alimentar é uma condição multifatorial estando envolvida com fatores 
socioculturais, psicológicos e, até, familiares. No entanto, atualmente existem explicações
biológicas e estudos recentes mostram que, para algumas pessoas, os mesmos centros de
recompensa e prazer do cérebro que são acionados por drogas que causam dependência, como
cocaína e heroína por exemplo, são também ativadas por alimentos, especialmente aqueles
altamente palatáveis como o açucar e o sal.
 
Como as drogas que causam dependência, os alimentos altamente palatáveis parecem 
desencadear a liberação de substâncias químicas, em especial a dopamina, no cérebro. Uma vez que as pessoas experimentam o prazer de comer certos alimentos ocorre o aumento da
transmissão de dopamina e serotonina na via de recompensa no cérebro, assim elas rapidamente sentem a necessidade de comer novamente para sentir o mesmo prazer.
 
É o que evidencia o estudo de Wang e colaboradores onde a disponibilidade do receptor de 
dopamina (D2) está diminuída em indivíduos obesos. A dopamina modula circuitos de motivação e recompensa e, portanto, a deficiência de dopamina em indivíduos obesos pode perpetuar a
compulsão alimentar como um meio para compensar a diminuição da ativação desses circuitos.
 
Quais o sinais da Compulsão Alimentar?
 
Veja se algumas dessas perguntas se aplicam a você? 
 
1 – Você come mais do que o previsto quando você começa a comer certos alimentos? 
2 – Você come certos alimentos mesmo quando você não está mais com fome?
3 – Você come algum alimento e excesso a ponto de sentir-se mal? 
4 – Você se preocupa em não comer certos tipos de alimentos? 
5 – Quando certos alimentos não estão disponíveis você sai de casa para obtê-los?
6 – Você evita situações profissionais ou sociais onde certos alimentos estão disponíveis por 
causa do medo de comer demais?
7 – Você tem problemas no seu trabalho ou escola por causa de comida?
8 – Comer alguns alimentos provocam problemas como depressão, ansiedade ou culpa?
9 – Você precisa comer mais e mais alimentos para reduzir as emoções negativas ou aumentar o prazer?
10 – Comer a mesma quantidade de alimentos não reduz as emoções negativas ou aumenta o 
prazer da maneira que costumava?
 
 
Como tratar a Compulsão Alimentar?
 
O acompanhamento médico é indispensável para o diagnóstico e o tratamento da compulsão 
alimentar. Como normalmente esses indivíduos estão sobrepeso ou obesos o tratamento 
multidisciplinar é fundamental. Uma equipe formada por um psiquiatra, psicólogo, endocrinologista e o nutricionista pode trazer um resultado muito mais favorável para o paciente a longo prazo.
 
O tratamento passa por medidas farmacológicas específicas com o objetivo de reduzir os 
episódios de compulsão alimentar e o peso corporal (quando associado a sobrepeso ou 
obesidade). E medidas não farmacológicas como o acompanhamento nutricional para a 
melhora do comportamento alimentar inadequado e de psicoterapias, principalmente a 
cognitivo comportamental, que tem mostrado resultados significativos no tratamento da 
compulsão alimentar. Por isso, tenha equilíbrio nas suas escolhas e cuide-se sempre, nunca 
negligencie os sinais do seu organismo.
 
 
Referências:

1 – Wang G. et al. Brain dopamine and obesity. The Lancet Vol. 357, No. 9253, p354–357, 3 February 2001.

2 – Hardman CA. “Food addiction is real”. The effects of exposure to this message on self-diagnosed food addiction and eating behaviour. Appetite. 2015 Aug;91:179-84.

3 – Lee, N. M., Lucke, J., Hall, W. D., Meurk, C., Boyle, F. M., & Carter, A. Public views on food addiction and obesity. Implications for policy and treatment. PLoS ONE, 8(9), e74836. 2013

4 – Meadows, A., & Higgs, S. I think, therefore I am? Characteristics of a non-clinical population of self-perceived food addicts. Appetite, 71, 482. 2013

5 – Hoyt, C. L., Burnette, J. L., & Auster-Gussman, L. (2014). “Obesity is a disease”. Examining the self-regulatory impact of this public-health message. Psychological Science, 25(4), 997–1002.

6 – Kessler C. et al. The prevalence and correlates of binge eating disorder in the WHO World Mental Health Surveys. Biol Psychiatry. 2013 May 1; 73(9): 904–914.

Sete passos para amadurecer sem doenças e com qualidade de vida

A expectativa de vida dos brasileiros já passou de 75 anos, e estudos mostram que até 2050 a quantidade de idosos triplicará no país. Mas como chegar bem até lá? A medicina evoluiu e o acesso à tecnologia se globalizou. Por outro lado, a vida moderna faz com que as pessoas comam cada vez mais fora de casa ou recorram a produtos industrializados. Além disso, o tempo parece cada vez mais curto, e o estresse virou causador de doenças. Mas nunca é tarde para repensar os hábitos e dar os primeiros passos em busca de uma vida mais longa e saudável.

Assim, se você está na casa dos 30, 40 anos, e ainda não começou a se preocupar com o futuro, a hora é essa.  Para te ajudar a amadurecer com qualidade, leveza e sem doenças, o Eu Atleta consultou o médico Guilherme Renke, que listou sete passos simples, mas que podem fazer enorme diferença lá na frente. Confira as dicas do doutor e comece agora!

DESCASQUE MAIS, DESEMPACOTE MENOS

Inúmeros estudos mostram que o consumo excessivo de alimentos industrializados ricos em conservantes, e o baixo consumo de frutas e verduras estão relacionados com maior risco de doenças cardiovasculares, doenças autoimunes e problemas intestinais levando ao envelhecimento precoce.

FAÇA HELIOTERAPIA

A exposição diária ao sol é fundamental para uma saúde plena a longo prazo. O sol tem participação na formação da vitamina D que desempenha diversas funções no nosso organismo, em especial, no metabolismo ósseo e na regulação do sistema nervoso central. Além disso, diversos estudos mostram que baixos níveis de vitamina D estão diretamente relacionados com maior risco de desenvolvimento de qualquer tipo de câncer.

ESTEJA COM A MENSALIDADE DA ACADEMIA EM DIA

Nos últimos anos diversos estudos publicados pelo American College of Sports Medicine mostraram que a musculação traz mais benefícios do que o exercício aeróbico na prevenção da sarcopenia (perda muscular que ocorre com a idade e torna o indivíduo dependente), na manutenção do peso, na prevenção da perda óssea, na diminuição da pressão arterial em hipertensos e na diminuição da resistência à insulina em diabéticos.

EVITE O CONSUMO DO AÇÚCAR

Quem pensa que é só cortar o açúcar do cafezinho está muito enganado. O açúcar está escondido em vários ou quase todos os alimentos que estão à nossa disposição no mercado. Seu consumo excessivo está relacionado com a elevação exacerbada da insulina gerando diversos danos à nossa saúde, como diabetes 2, obesidade, esteatose hepática, dislipidemia, síndrome metabólica e o câncer.

NÃO LEVE TRABALHO PARA CASA E SE MANTENHA ATIVO

Escolha não viver no mundo do estresse e da ansiedade. Seja uma fortaleza de paz. Levar trabalho para casa é a pior opção para quem quer ter uma vida sexual ativa. Estudos mostram que fazer sexo é fundamental para a prevenção das doenças cardiovasculares e para a nossa longevidade. Além disso, o sexo potencializa a liberação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina que são fundamentais para a sensação de bem-estar e para a melhora do sono.

NÃO SEJA VICIADO NO SEU CELULAR

Estudo recente feito em Harvard mostra que ficar conectado a celulares, tablets, televisões e computadores está associado com maior risco de diabetes 2, doenças cardiovasculares e uma maior mortalidade. Além disso, a “luz azul“ emitida por esses aparelhos pode alterar a secreção da melatonina e alterar o ritmo circadiano fazendo com que você tenha uma insônia daquelas.

FAÇA PREVENÇÃO

Quando você era criança, sua mãe sempre te levava para fazer “check ups“ com o pediatra, certo? Agora, como adulto, ninguém vai fazer isso para você. A maioria das pessoas só procura o médico quando já está doente. Por que não para prevenir isso? Uma dica é nunca ignorar os sinais do seu organismo. Pense menos no seu trabalho e pense mais na sua saúde. Tenha a certeza que prevenir aos 30 fará com que você chegue muito melhor aos 60 anos de idade.

Dieta paleo previne doenças e reduz a resistência à insulina, diz novo estudo

A alimentação paleolítica, também conhecida como dieta “paleo”, foi popularizada na década de 70 e ficou muito famosa, principalmente, após o lançamento do livro “The Paleo Diet”, publicado em 2002. A dieta paleolítica é uma forma de alimentação baseada na nutrição dos ancestrais do ser humano que viveram antes de 10.000 a.c. Esses indivíduos eram caçadores e coletores que consumiam, especialmente, carnes e vísceras animais, peixes, vegetais, frutas e castanhas. Além disso, outro detalhe é que não havia o cultivo naquela época, já que nossos ancestrais eram nômades.

Existem muitas críticas à alimentação paleolítica, principalmente com relação ao seu nome: “paleolítica “. Isso porque ela não segue exatamente a alimentação ancestral. Muitos dos alimentos contidos na alimentação paleolítica não existiam em 10.000 a.c., como brócolis, couve-flor, repolho e outros que sofreram modificações ao longo dos anos, tornando impossível reproduzir fielmente o que era feito. Por isso, vemos outros nomes e tipos da alimentação paleolítica, mas em sua maioria, seguindo sempre a filosofia da baixa ingesta de carboidratos e de alimentos processados.

Por outro lado, os defensores da dieta paleolítica baseiam-se na teoria que o ser humano moderno não estaria geneticamente adaptado para metabolizar os alimentos industrializados, processados e cultivados. Além disso, outra afirmativa é que a nossa dieta moderna, rica em comidas processadas, gorduras trans e açúcar, é a raiz de doenças como a obesidade, câncer, diabetes, doenças do coração, doenças degenerativas, depressão e infertilidade.

Por milhões de anos, o metabolismo e a fisiologia humana envolvem a retenção de sódio e a excreção de potássio em resposta a uma alimentação que era pobre em sódio e rica em potássio. Com o início da agricultura e a industrialização dos alimentos, houve uma importante queda no consumo diário de potássio contribuindo para o desenvolvimento de diversas doenças. De fato, estudos recentes evidenciam que a alimentação paleolítica é rica em potássio e pobre em sódio, ao contrário da dieta ocidental. Uma revisão de Palmer et al publicada este mês na Mayo Clin Proc (2016) mostra que o consumo de potássio pela nossa população está muito abaixo da recomendação diária, enquanto o consumo de sódio está extremamente elevado.

Diversos estudos mostram que o baixo consumo de potássio está relacionado com diversas doenças, incluindo as cardiovasculares, a litíase renal e a osteoporose. Essa afirmação é ainda validada por outros estudos mostram que a suplementação com potássio tem efeitos favoráveis na redução da pressão arterial, na diminuição do risco do acidente vascular encefálico, na melhora da saúde óssea e na redução do risco de nefrolitíase.

O National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) estimou que entre 2007 e 2008 a ingesta de potássio por homens foi em torno de 3026 mg/d, e em mulheres de 2290 mg/d. Esses valores são substancialmente menores do que os valores diários sugeridos de 4700 mg/d. Essa “deficiência” de potássio é ainda mais notável quando a comparamos com a incrível ingesta dos nossos ancestrais pré-históricos, que era de 15.000 mg/d.

Recentemente, a alimentação paleolítica também mostrou íntima relação com a diminuição da resistência insulínica. Artigo publicado no Annual Meeting of the Endocrine Society evidenciou que uma dieta paleolítica reduziu marcadores relacionados com a resistência insulínica. A autora Caroline Blomquist PhD cita que: “Uma dieta paleolítica parece ter benefícios para a resistência à insulina, efeitos benéficos na perda de peso e na diminuição do risco para doenças cardiovasculares”.

Outro fator muito importante e discutido sobre a alimentação paleolítica é o fato de ser rica em gorduras monoinsaturadas e em Ômega 3 (EPA e DHA), relacionados em estudos com a redução da obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e o câncer. Além disso, alimentação paleolítica é rica na vitamina K2, associada com a prevenção de doenças cardiovasculares, osteoporose e cuja deficiência favorece o envelhecimento.

O que está incluído na dieta paleolítica:

– Vegetais
– Frutas
– Carnes, peixes e ovos
– Nozes, castanhas e sementes
– Gorduras vegetais saudáveis

O que não está incluído:

– Açúcar e alimentos processados
– Trigo e grãos
– Álcool
– Bebidas açucaradas
– Alimentos industrializados

Embora a alimentação paleolítica ofereça todos estes benefícios, devemos alertar que ela não pode ser feita por qualquer pessoa e não deve ser seguida por crianças. A melhor experiência nesta alimentação é a consciência de não comer alimentos processados. Equilibro sempre é o ideal, busque a orientação do seu médico e nutricionista.

Referências:

1 – Biff F. Palmer, MD, and Deborah J. Clegg, PhD. Achieving the Benefits of a High-Potassium, Paleolithic Diet, Without the Toxicity. Mayo Clin Proc. 2016;91(4):496-508
2 – DeSalvo KB, Olson R, Casavale KO. Dietary Guidelines for Americans. JAMA 2016;315(5):457-458.
3 – Food and Nutrition Board, Institute of Medicine. Potassium. In: Dietary Reference Intakes for Water, Potassium, Sodium, Chloride, and Sulfate. Washington, DC: National Academies Press; 2005:186e268.
4 – Cogswell M, Zhang Z, Carriquiry A, et al. Sodium and potassium intakes among US adults: NHANES 2003-2008. Am J Clin Nutr. 2012;96(3):647-657.
5 – Palmer BF. Regulation of potassium homeostasis. Clin J Am Soc Nephrol. 2015;10(6):1050-1060.
6 – Ellison DH, Terker AS. Why your mother was right: how potassium intake reduces blood pressure. Trans Am Clin Climatol Assoc. 2015;126:46-55.
7 – Blomquist C, et al “Beneficial effects on fatty acid composition and indices of fatty acid desaturase activity with a paleolithic-type diet during a two-year intervention in obese postmenopausal women” ENDO 2016; Abstract SUN-575. Endocrine Society