Deficiência de vitamina B12 pode levar a quadro de anemia e outros sintomas

A importância da Vitamina B12

A B12 ou a cobalamina é uma vitamina fundamental para o metabolismo do nosso organismo. Ela é única por possuir um oligoelemento na sua estrutura, o cobalto, que forma uma molécula complexa coordenada por um anel de corrina.

A cobalamina é necessária para a metilação de mielina, neurotransmissores, e fosfolípidios de membrana, ou seja, ela é essencial para a integridade dos sistemas nervosos central e periférico. Além disso, a vitamina B12 participa da formação das hemácias, a eritropoiese, e sua deficiência pode causar a anemia megaloblástica (onde o volume corpuscular médio da hemácia está aumentado). A anemia megaloblástica, quando de origem autoimune com a ausência do fator intrínseco levando ao distúrbio de absorção da vitamina B12 é denominada anemia perniciosa.

Apesar de sua importância a deficiência de vitamina B12 é muito comum na população como mostram estudos, podendo chegar a 20% da população dos EUA e até 40% dos pacientes idosos hospitalizados. Isso ocorre pois a absorção da cobalamina é extremamente complexa e pode ser prejudicada pelo tipo de dieta do indivíduo, por atrofia da mucosa gástrica levando a diminuição da produção do fator intrínseco, pelo diminuição do poder de absorção no íleo que está relacionada com a microbiota intestinal, com uso de medicamentos que diminuem a sua absorção e com cirurgias como a bariátrica para redução do peso.

Algumas patologias também estão associadas com a deficiência da vitamina B12, um exemplo é o hipotireoidismo como mostra o estudo de Jabbar et al 2008 onde estimou-se em 40% a prevalência de deficiência de vitamina B12 em pacientes com hipotireoidismo.

Uma deficiência silenciosa

Essa deficiência é tipicamente assintomática e descoberta normalmente através da analise laboratorial. No entanto, estudos mostram que alterações neurológicas, cognitivas e alterações psicológicas também ocorrem em indivíduos com moderada deficiência de vitamina B12 (níveis séricos de vitamina B-12 entre 107-210 pmol /L).

Nos idosos a deficiência de vitamina B12 tipicamente se apresenta como distúrbios sensoriais nas extremidades (formigamento e dormência) e perda de vibração e senso de posição articular, juntamente com problemas de motor e anomalias da marcha, cognição prejudicada, e depressão. Manifestações neurológicas e cognitivas de grave deficiência de B12 são em grande parte sensíveis ao tratamento injetável com vitamina B12 (injeção intramuscular repetida), embora a melhoria pode levar algum tempo.

A vitamina B12 parece ter intima relação com o sobre peso. Um estudo muito interessante evidencia uma associação entre baixos níveis de vitamina B12 com obesidade e resistência à insulina na gestação em pacientes não diabéticas. Esses achados são importantes pois podem ter implicações graves na saúde de gestantes sobrepeso, portanto a avaliação da vitamina B12 pode ser uma estratégia preventiva importante.

As diferentes formas da vitamina B12

Várias formas de B12 são formadas de acordo com as moléculas que se ligam com a cobalamina. Estes conjuntos podem explicar as diferentes denominações das várias formas de vitamina B12. Um exemplo é a metilcobalamina, resultado de uma ligação entre a cobalamina e o radical metil, já a cianocobalamina é o resultado da união dos grupos ciano e cobalamina.

No organismo, a vitamina B12 atua como uma coenzima: uma molécula cuja função bioativa é possível pela ação de outras enzimas. No entanto, existem apenas duas formas de vitamina B12, que são coenzimas ativas no corpo, são elas: a metilcobalamina a adenosilcobalamina.

Outras duas formas de cobalamina podem pode ser metabolizadas como “bioativas” pelo organismo: a cianocobalamina e a hidroxicobalamina. Elas não são diretamente ativas, mas são precursores para a formação de coenzimas biodisponíveis.

Como ocorre a absorção da vitamina B12?

Nos alimentos de origem animal (carne vermelha, peixes, ovos, etc…) a vitamina B12 está ligada as proteínas. No estômago ocorre a separação da B12 devido ao baixo PH <2,0. Em resposta a ingesta ocorre a liberação da haptocorrina que liga-se a B12 para a proteção contra o ácido clorídrico produzido pelo estômago. As células parietais produzem o fator intrínseco que se liga com a B12 tornando possível a sua absorção no íleo. Após absorvida, no fígado a B12 é ligada a uma proteína transportadora chamada transcobalamina e distribuída pelo organismo.

Medicamentos podem causar a deficiência de vitamina B12?

Sim, recentemente um estudo publicado no jornal da Endocrine Society mostrou que a deficiência de Vit B12 pode estar relacionada com o uso da Metformina. Como esse medicamento é prescrito e utilizado em larga escala por indivíduos com diabetes 2 a avaliação da cobalamina deve ser feita de rotina por esses pacientes.

Outro medicamento que está relacionado com a deficiência de vitamina B12 são os inibidores da bomba de próton, como o omeprazol. Esses medicamentos diminuem a produção do fator intrínseco que é necessário para a absorção da vitamina B12. Estudo publicado no JAMA em 2013 mostra que o uso contínuo desses medicamentos está relacionado com deficiência de vitamina B12.

Porque uma alimentação vegetariana pode causar deficiência de vitamina B12?

Sim, existe uma grande polêmica com relação a essa relação. É sabido que uma alimentação vegetariana pode trazer diversos benefícios para a saúde, no entanto é observada maior prevalência da deficiência de vitamina B12 a longo prazo nesses indivíduos. A vitamina B12 não é produzida pelas plantas, apesar disso formas análogas da vitamina B12 podem ser encontradas nos vegetais. Alguns estudos mostram que mais de 50% dos vegetarianos e veganos nesse regime há muito tempo possuem deficiência de vitamina B12. Isso porque os análogos da vitamina B12, também denominadas de “pseudovitaminas B12”, são moléculas muito semelhantes a B12 do ponto de vista estrutural, mas que não estão na forma ativa. Assim estas moléculas são muitas vezes prejudiciais para o organismo porque previnem ou inibem a absorção de formas ativas de vitamina B12 devido a sua ligação com o fator intrínseco. Pequenos ensaios clínicos mostram o contrário, que algumas algas como clorela são eficientes como fonte de vitamina B12 para vegetarianos. Apesar disso, a recomendação ainda é a suplementação com acompanhamento médico e nutricional para os vegetarianos e, principalmente, os veganos quando há a deficiência de B12.

Segundo a nutricionista Luna Azevedo, especializada em fitoterapia: “os veganos encontram a B12 em alimentos fortificados e por meio da suplementação oral ou injetável. Nesses casos, a origem da B12 é sintética (produzida por bactérias). A suplementação sempre deve ser feita com orientação profissional, pois cada organismo tem a sua dose e especificidade encontradas em análises dos exames laboratoriais. Existe uma crença de que as algas possuem B12, principalmente a nori, mas isso é um mito. Assim como a Spirulina, uma cianobactéria, a vitamina B12 proveniente de fonte vegetal são análogos de B12, semelhante em estrutura, mas não biologicamente ativa. Vale informar que a fermentação de grãos não produz B12 nos alimentos e que os alimentos orgânicos também não possuem essa vitamina.“

Importante lembrar que estudos que avaliaram comprimidos de Spirulina comprovaram que, apesar de parecer conter cerca de 0,25 a 1 mg de vitamina B12 por comprimido, mais de 80% do que parece ser “vitamina B12” – por ensaio microbiológico – é, na verdade, pseudovitamina B12. Ou seja, a spirulina continha uma pequena quantidade de vitamina B12 activa na ligação do fator intrínseco. Sendo assim, sua biodisponibilidade é questionável.

Qual a nossa necessidade diária de Vitamina B12?

A vitamina B12 é a única encontrada somente em alimentos de origem animal como: ostras, peixes, ovos, carne vermelha e de fígado, crustáceos e derivados do leite. Precisamos absorver (transportar do intestino para o sangue) 1 mcg de B12 por dia. Como a absorção dessa vitamina é cerca de 50% da quantidade ingerida, a recomendação de ingestão é dobrada e acrescida de uma margem de segurança.

IDADE:

0 a 6 meses: 0,4 mcg/dia

6 a 12 meses: 0,5 mcg/dia

1 a 3 anos: 0,9 mcg/dia

4 a 8 anos: 1,2 mcg/dia

09 a 13 anos: 1,8 mcg/dia

Acima de 14 anos: 2,4 mcg/dia

Gestação: 2,6 mcg/dia

Lactação: 2,8 mcg/dia

 

Referências:

  1. Aroda et al. Long-term Metformin Use and Vitamin B12 Deficiency in the Diabetes Prevention Program Outcomes Study. The Journal of Clinical Endocrinology e Metabolism Vol 101 – 2016. http://dx.doi.org/10.1210/jc.2015-3754
  2. Knight B. et al. Lower Circulating B12 Is Associated with Higher Obesity and Insulin Resistance during Pregnancy in a Non-Diabetic White British Population. Plos One August 19, 2015 http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0135268
  3. Lam J et al. Proton Pump Inhibitor and Histamine 2 Receptor Antagonist. JAMA. 2013;310(22):2435-2442. doi:10.1001/jama.2013.280490.
  4. Merchant R et al. Nutritional Supplementation with Chlorella pyrenoidosa Lowers Serum Methylmalonic Acid in Vegans and Vegetarians with a Suspected Vitamin B₁₂ Deficiency. J Med Food. 2015 Dec;18(12):1357-62
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  6. Watanabe F, Katsura H, Takenaka S, Fujita T, Abe K, Tamura Y, Nakatsuka T, Nakano Y. Pseudovitamin B(12) is the predominant cobamide of an algal health food, spirulina tablets. J Agric Food Chem. 1999 Nov;47(11):4736-41.
  7. Yamada K, Yamada Y, Fukuda M, Yamada S. Bioavailability of dried asakusanori (porphyra tenera) as a source of Cobalamin (Vitamin B12). Int J Vitam Nutr Res. 1999 Nov;69(6):412-8
  8. Treuesdell, D. D., Green, N. R. and Acosta, P. B. (1987), Vitamin B12 Activity in Miso and Tempeh. Journal of Food Science, 52: 493–494. doi: 10.1111/j.1365-2621.1987.tb06650.x
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  12. Murphy, M. F., Sourial, N. A., Burman, J. F., Doyle, D. V., Tabaqchali, S. and Mollin, D. L. (1986), Megaloblastic anaemia due to vitamin B12 deficiency caused by small intestinal bacterial overgrowth: possible role of vitamin B12 analogues. British Journal of Haematology, 62: 7–12. doi: 10.1111/j.1365-2141.1986.tb02894.x
  13. J. Fred Kolhouse, M.D., Haruki Kondo, M.D., Nancy C. Allen, R.N., Elaine Podell, A.B., and Robert H. Allen, M.D. „Cobalamin Analogues Are Present in Human Plasma and Can Mask Cobalamin Deficiency because Current Radioisotope Dilution Assays Are Not Specific for True Cobalamin“ N Engl J Med 1978; 299:785-792October 12, 1978DOI: 10.1056/NEJM197810122991501
  14. Kittaka-Katsura H, Fujita T, Watanabe F, Nakano Y. Purification and characterization of a corrinoid compound from Chlorella tablets as an algal health food. J Agric Food Chem. 2002 Aug 14;50(17):4994-7
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Sete passos para amadurecer sem doenças e com qualidade de vida

A expectativa de vida dos brasileiros já passou de 75 anos, e estudos mostram que até 2050 a quantidade de idosos triplicará no país. Mas como chegar bem até lá? A medicina evoluiu e o acesso à tecnologia se globalizou. Por outro lado, a vida moderna faz com que as pessoas comam cada vez mais fora de casa ou recorram a produtos industrializados. Além disso, o tempo parece cada vez mais curto, e o estresse virou causador de doenças. Mas nunca é tarde para repensar os hábitos e dar os primeiros passos em busca de uma vida mais longa e saudável.

Assim, se você está na casa dos 30, 40 anos, e ainda não começou a se preocupar com o futuro, a hora é essa.  Para te ajudar a amadurecer com qualidade, leveza e sem doenças, o Eu Atleta consultou o médico Guilherme Renke, que listou sete passos simples, mas que podem fazer enorme diferença lá na frente. Confira as dicas do doutor e comece agora!

DESCASQUE MAIS, DESEMPACOTE MENOS

Inúmeros estudos mostram que o consumo excessivo de alimentos industrializados ricos em conservantes, e o baixo consumo de frutas e verduras estão relacionados com maior risco de doenças cardiovasculares, doenças autoimunes e problemas intestinais levando ao envelhecimento precoce.

FAÇA HELIOTERAPIA

A exposição diária ao sol é fundamental para uma saúde plena a longo prazo. O sol tem participação na formação da vitamina D que desempenha diversas funções no nosso organismo, em especial, no metabolismo ósseo e na regulação do sistema nervoso central. Além disso, diversos estudos mostram que baixos níveis de vitamina D estão diretamente relacionados com maior risco de desenvolvimento de qualquer tipo de câncer.

ESTEJA COM A MENSALIDADE DA ACADEMIA EM DIA

Nos últimos anos diversos estudos publicados pelo American College of Sports Medicine mostraram que a musculação traz mais benefícios do que o exercício aeróbico na prevenção da sarcopenia (perda muscular que ocorre com a idade e torna o indivíduo dependente), na manutenção do peso, na prevenção da perda óssea, na diminuição da pressão arterial em hipertensos e na diminuição da resistência à insulina em diabéticos.

EVITE O CONSUMO DO AÇÚCAR

Quem pensa que é só cortar o açúcar do cafezinho está muito enganado. O açúcar está escondido em vários ou quase todos os alimentos que estão à nossa disposição no mercado. Seu consumo excessivo está relacionado com a elevação exacerbada da insulina gerando diversos danos à nossa saúde, como diabetes 2, obesidade, esteatose hepática, dislipidemia, síndrome metabólica e o câncer.

NÃO LEVE TRABALHO PARA CASA E SE MANTENHA ATIVO

Escolha não viver no mundo do estresse e da ansiedade. Seja uma fortaleza de paz. Levar trabalho para casa é a pior opção para quem quer ter uma vida sexual ativa. Estudos mostram que fazer sexo é fundamental para a prevenção das doenças cardiovasculares e para a nossa longevidade. Além disso, o sexo potencializa a liberação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina que são fundamentais para a sensação de bem-estar e para a melhora do sono.

NÃO SEJA VICIADO NO SEU CELULAR

Estudo recente feito em Harvard mostra que ficar conectado a celulares, tablets, televisões e computadores está associado com maior risco de diabetes 2, doenças cardiovasculares e uma maior mortalidade. Além disso, a “luz azul“ emitida por esses aparelhos pode alterar a secreção da melatonina e alterar o ritmo circadiano fazendo com que você tenha uma insônia daquelas.

FAÇA PREVENÇÃO

Quando você era criança, sua mãe sempre te levava para fazer “check ups“ com o pediatra, certo? Agora, como adulto, ninguém vai fazer isso para você. A maioria das pessoas só procura o médico quando já está doente. Por que não para prevenir isso? Uma dica é nunca ignorar os sinais do seu organismo. Pense menos no seu trabalho e pense mais na sua saúde. Tenha a certeza que prevenir aos 30 fará com que você chegue muito melhor aos 60 anos de idade.

DNA mitocondrial pode ser chave para desvendar doenças e velhice precoce

Há milhões de anos atrás a célula do mamífero tornou-se capaz de utilizar o oxigênio (O2) graças a uma provável simbiose (sociedade) feita com uma bactéria marinha capaz de utilizar o O2. Essa “bactéria“ foi primeiramente descrita pelo histologista alemão Richard Altmann em 1894 que as denominou as organelas celulares chamadas de bioblastos. Atualmente a conhecemos como  Mitocôndria e ela pode ser considerada a principal organela que habita o interior das nossas células. Isso porque, a mitocôndria é a “fornalha” celular, ou seja, local onde produzimos o a energia para a vida.

De fato, sem energia não há vida e, por isso, um dos fenômenos biológicos mais estudados nos últimos anos é o declínio progressivo da função dessas mitocôndrias com a idade, o que leva a uma lenta diminuição da vitalidade das nossas células e menor produção de energia, o ATP.

Curiosamente, a mitocôndria possui um DNA próprio que herdamos apenas da nossa mãe e ele difere totalmente do DNA presente no núcleo das nossas células. Essa existência do DNA mitocondrial sugere que, as mitocôndrias já existiram um dia como organismos separados das suas atuais células-hospedeiras, nesse caso, as nossas células humanas.

Diversos estudos tentam elucidar se a origem da maioria das doenças possa estar na mitocôndria entre elas o câncer, por exemplo. É razoável pensarmos que se há uma falha na mitocôndria não haveria produção de energia adequada e, consequentemente, poderíamos adoecer. Para os cientistas, quando temos uma mitocôndria “doente“ ela não utilizaria o O2 como deveria mesmo que as quantidades de O2 estivessem ideais. Esse novo fenômeno é conhecido pela ciência  como “Hipóxia Mitocondrial“ e parece ser o cerne do envelhecimento precoce e de várias doenças degenerativas.

Um estudo da universidade de Harvard feito pelo Dr. David Sinclair e sua equipe publicado em 2013 na revista Cell (fator de impacto: 32,2) mostra que o envelhecimento leva a um declínio específico da função mitocondrial e a uma diminuição da oxidação (produção de energia) com maior lesão no DNA celular. Esse estudo também descreve que com a idade ocorre uma queda dos níveis de Dinucleótido de nicotinamida e adenina (NAD+). Esse substrato celular é fundamental por facilitar a oxidação mitocondrial no ciclo de Krebs. Ainda segundo os pesquisadores, possivelmente a reposição com NAD+ na mitocôndria poderia até diminuir a progressão de doenças como o câncer e de retardar o envelhecimento.

Além disso, outros estudos mostram que pequenas atitudes podem retardar o envelhecimento e evitar o declínio da função mitocondrial:

1 – Ter uma boa noite de sono: os mecanismos restauradores celulares são ativados principalmente durante a noite enquanto dormimos, em especial, por estimulo do Hormônio do Crescimento.

2 – Praticar exercícios físicos! Os estudo de Porter et al (2014) mostra que um atleta possui até 50% mais mitocôndrias nas células do organismo, principalmente, no músculo cardíaco.

3 – Ter uma alimentação pobre em açucar e rica em gorduras boas. O metabolismo celular via Piruvato gera maior quantidade de CO2 (acidifica o PH da célula) e menos ATP celular em comparação com a via dos ácidos graxos (Acetil-coa). Uma alimentação rica em gorduras parece potencializar a função mitocondrial como mostra o estudo de Carabelli et al (2011).

4 – Possuir níveis hormonais equilibrados e manter níveis ideais de vitaminas (como Vit D e A) e minerais (em especial, o Magnésio).

5 – Ter uma alimentação rica em proteínas, em especial, as que contenham o aminoácido essencial Lisina capaz de aumentar os níveis de L-Carnitina, nutriente fundamental para o metabolismo mitocondrial.

Futuros estudos devem elucidar outros mecanismos restauradores celulares e definir a real associação da função mitocondrial com os processos de adoecimento, com o câncer e com o envelhecimento. Para isso, pesquisadores estão voltando as suas atenções para o estudo do DNA mitocondrial e para quais seriam os processos que causam alterações que poderiam gerar doenças. Enquanto isso podemos melhorar a performance das nossas células e das nossas mitocôndrias com uma boa alimentação, praticando exercícios físicos regularmente e evitando o estresse. Lembre-se, a prevenção é sempre o melhor remédio!

 

Referências:

1 – Braidy, N., Guillemin, G.J., Mansour, H., Chan-Ling, T., Poljak, A., and Grant, R. (2011). Age related changes in NAD+ metabolism oxidative stress and Sirt1

activity in wistar rats. PLoS ONE 6, e19194.

2 – Bell, E.L., Emerling, B.M., Ricoult, S.J., and Guarente, L. (2011). SirT3 suppresses hypoxia inducible factor 1a and tumor growth by inhibiting mitochondrial ROS production. Oncogene 30, 2986–2996.

3 – Carabelli, J., Burgueno, A.L., Rosselli, M.S., Gianotti, T.F., Lago, N.R., Pirola, C.J., and Sookoian, S. (2011). High fat diet-induced liver steatosis promotes an increase in liver mitochondrial biogenesis in response to hypoxia. J. Cell.

Mol. Med. 15, 1329–1338.

4 – Sinclair, D., Gomes A., Price, L. (2013) Declining NAD+ Induces a Pseudohypoxic State Disrupting Nuclear-Mitochondrial Communication during Aging. Cell 155, 1624–1638

5 – Williamson, J.R., Chang, K., Frangos, M., Hasan, K.S., Ido, Y., Kawamura, T.,

Nyengaard, J.R., van den Enden, M., Kilo, C., and Tilton, R.G. (1993). Hyperglycemic pseudohypoxia and diabetic complications. Diabetes 42, 801–813.

6 – Yang, H., Baur, J.A., Chen, A., Miller, C., Adams, J.K., Kisielewski, A., Howitz, K.T., Zipkin, R.E., and Sinclair, D.A. (2007). Design and synthesis of compounds that extend yeast replicative lifespan. Aging Cell 6, 35–43.

7 – Yoshino, J., Mills, K.F., Yoon, M.J., and Imai, S. et al (2011). Nicotinamide mononucleotide, a key NAD(+) intermediate, treats the pathophysiology of diet- and age-induced diabetes in mice. Cell Metab. 14, 528–536.

8 – Porter, G., Reidy, T., Bhattarai, N. et al (2014) Resistance exercise training alters mitocondrial function in human skeletal muscle. Med Sci Sports & Exercise Vol 47. 9, 1922-1931.

9 – Iacobazzi V, Castegna A, Infantino V et al. (2013) Mitochondrial DNA methylation as a next-generation biomarker and diagnostic tool. Mol Genet Metab. 2013 Sep-Oct;110(1-2):25-34.