Dr. Guilherme Renke fala sobre café da manhã saudável no programa Bem Estar

Dr. Guilherme Renke participou do programa Bem Estar da Rede Globo que foi transmito ao vivo para todo país. O médico falou sobre a importância de um café da manhã saudável contendo equilíbrio dos três macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras). O médico também destacou a importância da proteína no café da manhã, segundo ele a ingesta da proteína é a mais eficaz em diminuir o hormônio que mantém nosso apetite alto, a Grelina. Esse hormônio é produzido no nosso estômago quando estamos muito tempo de jejum, por exemplo após uma noite de sono. Portanto pela manhã os níveis de Grelina são altos e sua diminuição está correlacionada com a ingesta alimentar e posterior diminuição do apetite.

Outro detalhe discutido no programa foi de estudos mostrando que tomar café da manhã antes das atividades físicas prepara o organismo para queimar mais carboidratos e digerir mais rapidamente os alimentos após o exercício. A análise sugere que tomar café da manhã antes do exercício prepara o corpo tanto no armazenamento rápido dos nutrientes quanto na alimentação após a atividade. Veja matéria completa aqui

 

Veggie Protein: ele tem os mesmos benefícios do Whey Protein?

Veggie Protein: ele tem os mesmos benefícios do Whey Protein?

Nos últimos anos houve um enorme crescimento na venda e no consumo dos suplementos a base de proteínas de origem vegetal (veggie protein). Até pouco tempo, escassas evidencias científicas demonstravam que a ingesta regular desses suplementos poderia ter um benefício semelhante ao consumo do whey protein.

No entanto, recentemente novos ensaios clínicos mostra que os suplementos protéicos vegetais parecem possuir qualidades equivalentes a proteína do soro do leite. Um exemplo é o estudo randomizado, duplo-cego e controlado de Babault et al publicado em 2015 no Journal of the International Society of Sports Nutrition onde 161 homens, entre 18 e 35 anos praticantes de musculação foram divididos em três grupos que foram acompanhados 12 semanas: No primeiro grupo 53 indivíduos receberam suplementação com proteína da ervilha (veggie protein). No segundo grupo 54 indivíduos receberam suplementação com proteína do soro do leite (whey protein). Já no terceiro grupo 54 indivíduos receberam o placebo. Os resultados mostraram um significativo aumento da espessura muscular em ambos os grupos com a suplementação proteica (whey ou ervilha) em comparação com o grupo placebo. Esse estudo é interessante pois apesar dos resultados benéficos similares entre as proteínas (animal e vegetal) a composição dos aminoácidos em ambas as fontes proteicas é completamente diferente: Por exemplo, 100g de whey possui 8,6g de Leucina a proteína da ervilha possui uma quantidade menor de 6,4g. Ao contrário, a ervilha possui 6.6g de Arginina enquanto que o whey apenas 2,1g. Vale ressaltar que existem inúmeras evidências científicas para o uso do whey ao contrário das proteínas de origem vegetal onde os estudos são escassos. No entanto, como esse estudo demonstra ambas as fontes proteicas parecem ser benéficas para o ganho muscular.

Veja na tabela abaixo as diferentes concentrações de aminoácidos entre as diferentes fontes de proteína animais e vegetais:

Fontes Vegetais: % Aminoácidos Essenciais % Leucina % Lisina % Metionina
Spirulina 41 8,5 5,2 2,0
Quinoa 39 7,2 6,5 2,6
Ervilha 37 7,8 6,3 1,6
Arroz 37 8,2 3,8 2,2
Fontes Animais % Aminoácidos Essenciais % Leucina % Lisina % Metionina
Whey 52 13,6 10,6 2,3
Caseína 48 10,2 8,1 2,7
Isolado da carne (Beef) 44 8,8 8,9 2,5
Ovo 44 8,5 7,1 3.0

 

 

Whey protein: esclareça as suas dúvidas sobre o suplemento

A proteína é o macronutriente mais importante para o corpo humano e uma alimentação rica em proteínas é capaz exercer efeitos benéficos sobre a composição corporal e, principalmente, sobre o nosso metabolismo.

No entanto, atualmente nossa alimentação é rica em carboidratos e um número crescente de estudos mostram que o consumo de proteína na nossa dieta é cada vez menor. No Brasil, por exemplo, esse cenário parece ser ainda pior como cita o estudo de Gomes e colaboradores de 2009 onde a deficiência nutricional de proteína deveria ser uma preocupação de saúde pública.

Estudos recentes mostram que ter uma alimentação rica em proteínas está relacionada com a redução do estresse oxidativo, com a manutenção da massa muscular, com a diminuição da prevalência da obesidade, com a melhora da resistência à insulina, com a diminuição da hemoglobina glicada, com a diminuição do risco cardiovascular e até com a melhora imunológica.

Face ao esgotamento dos recursos naturais e do crescimento populacional novas estratégias para uma dieta rica em proteínas tem sido proposta, uma vez que, a sustentabilidade do consumo de carnes de origem animal pela população é extremamente onerosa para o meio ambiente.

Por esse motivo, diversos produtos agro-industriais ricos em proteínas tem tido grande crescimento em todo o mundo. Um deles é o whey protein, um dos suplementos nutricionais mais consumidos no mundo.

 

O que é o Whey Protein?

O whey protein, ou proteína do soro do leite, foi considerado um resíduo pela indústria de laticínios por décadas. Mas felizmente o seu potencial como um suplemento está sendo reconhecido nas últimas décadas. O soro de leite contém 15 a 20% de proteínas totais do leite com alta qualidade nutricional e de rápida absorção. Essa proteína do soro do leite é globular com os seguintes componentes principais: beta-lactoglobulina (35-65%), alfa-lactoglobulina (12-25%), imunoglobulinas (8%), albumina (5%) e a lactoferrina (1%).

O Whey protein é, também, uma fonte rica de aminoácidos de cadeia ramificada: leucina, isoleucina e valina (BCAA) e outros aminoácidos essenciais como a cisteína (o precurssor da glutationa um potente antioxidante). A leucina é, também, um dos aminoácidos mais abundantes do whey protein e desempenha um papel fundamental na regulação da síntese de proteínas musculares como mostra estudo de Chen e colaboradores de 2014.

 

Qual a diferença entre Whey Protein Concentrado, Isolado ou Hidrolisado?

Ao contrário do que muitos pensam existem diferentes métodos utilizados para a extração das proteínas do soro do leite. Com base na sua concentração e seus atributos, o whey protein é comercializado nas seguintes formas:

  • Whey Concentrado: não sofre etapas de filtração rigorosa possui gordura e lactose, juntamente com 29 a 89% de proteínas dependendo da qualidade. O processo de filtragem mais simples não elimina a lactose e a gordura o que torna a absorção mais lenta, não sendo o mais adequado para indivíduos com intolerância a lactose.
  • O Whey Isolado contém 90% de proteínas. Existem dois tipos de whey isolado:

1 – O por troca-iônica onde o processo de filtragem é mais antigo e a desvantagem é o aquecimento que desnatura as proteínas e a eleva a quantidade de sódio no produto final pelo processo químico.

2 – O isolado por micro-filtragem a frio é um processo mais moderno que garante maior integridade das proteínas por não passar por aquecimento e menor teor de sódio.

  • Whey Hidrolisado: a hidrólise consiste na quebra das moléculas de proteínas em peptídeos menores por processos químicos ou enzimáticos, o que facilita a absorção e o metabolismo. O processo de hidrólise favorece uma maior absorção intestinal do whey pela quebra dos peptídeos e uma maior biodisponibilidade dos aminoácidos. Uma boa alternativa para indivíduos com intolerância a lactose.
  • Tri-Whey e outras misturas: Inúmeros tipos disponíveis no mercado (ex: concentrado + isolado + hidrolisado) ou a mistura de dois tipos. Não existem estudos randomizados que mostrem benefícios dessas misturas. Sendo isolado + hidrolisado a melhor opção para intolerantes a lactose.

 

Quais os benefícios do Whey Protein para a saúde?

Existe diversos estudos científicos mostrando benefícios da proteína de soro de leite para nossa saúde. Ao contrario do que muitos afirmam o whey tem benefícios muito mais importantes do que apenas o ganho muscular. Estudos recentes mostram a associação do uso do whey com a redução do estresse oxidativo, com a prevenção da perda muscular e a sarcopenia em idosos, com a diminuição da hemoglobina glicada e como uma boa opção para tratamento nutricional do Diabetes 2.

 

Whey Protein pode ser usado e traz benefícios para idosos?

Sim, é o que mostra o estudo randomizado, duplo-cego controlado publicado em 2015 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism que dividiu 45 homens com idade média de 69 anos em três grupos: O primeiro grupo recebeu 21g de whey protein com 9g de carboidratos e 3g de gordura; O segundo grupo recebeu apenas whey protein; O terceiro não recebeu whey apenas uma dieta isocalórica. Foi avaliada a síntese muscular pós-prandial nos três grupos. Os dois grupos que fizeram a ingesta de 21g de whey protein houve um aumentou significativo (p<0,05) da síntese muscular quando comparado ao grupo que recebeu apenas carboidrato e gordura. O mais interessante desse estudo foi observar o aumento da insulina apenas no grupo que fez whey + carbo o que sustenta a afirmação do poder anabólico da introdução do carboidrato pós-treino em associação com whey protein. Vale lembrar que indivíduos com mais de 60 anos de idade tendem a perda da massa muscular e a quadros de sarcopenia o que torna fundamental a ingesta de valores adequados de proteína como mostra esse estudo onde a síntese muscular foi significativamente maior no grupo que introduziu o whey protein.

 

Como o Whey Protein pode auxiliar no tratamento do Diabetes 2?

O Diabetes 2 e a resistência à insulina são um dos maiores problemas de saúde pública atuais e estão relacionados com uma série de complicações da hiperglicemia como: a perda da visão, a aterosclerose, a síndrome metabólica, úlceras em membros inferiores e a esteatose hepática. Estudos mostram que o whey protein pode diminuir os níveis de glicose no sangue e aumentar a liberação de hormônios que diminuem o apetite (leptina e PYY).

Além disso, uma descoberta recente publicada no meeting 2016 da Endocrine Society foi que o consumo regular do whey protein no café da manhã parece diminuir a glicemia pós-prandial, diminuir a hemoglobina glicada (HbA1c) e favorecer o emagrecimento. Esse estudo comparou 3 grupos com diferentes cafés da manhã: o primeiro grupo recebeu o café tradicional (carboidratos + 13g de proteína); o segundo grupo recebeu um café com ovos, queijo e atum contendo 36g de proteínas no total; o terceiro grupo recebeu apenas um shake de whey protein com 36g de proteína. O estudo evidenciou que o whey protein parece estimular o GLP-1 hormônio que possui potente ação na diminuição da glicemia através da estimulação da insulina e da inibição do glucagon. Na conclusão dos autores: “O whey deve ser usado como uma estratégia importante no tratamento do Diabetes 2“

 

Porque consumir diariamente o Whey Protein não engorda?

O estudo publicado em 2014 no Journal of the International Society of Sports Nutrition não mostra ganho de peso com a suplementação de whey protein em indivíduos praticantes de exercícios físicos. Nesse estudo 30 indivíduos bem treinados, com idade média de 24 anos, foram separados em dois grupos: O primeiro recebeu 1.8g/kg de proteína por dia (whey protein + alimentação). Já o segundo grupo recebeu uma aporte muito maior de proteína, foram 4.4g/kg de proteína por dia (whey protein + alimentação). O resultado desse estudo foi muito interessante pois apesar dos dois grupos terem resultados semelhantes do ponto de vista de ganho muscular, não houve aumento no percentual de gordura no segundo grupo, que recebeu uma alimentação hiperproteica 5,5x maior que o recomendado para uma pessoa sedentária (0,8g/kg dia), em comparação com o grupo que recebeu 1,8kg/kg de proteína. Importante ressaltar que a proteína também é fonte de calorias e o aumento na ingesta do segundo grupo foi de 835Kcal/kg por dia maior que no primeiro grupo. Portanto, em indivíduos praticantes de exercícios físicos uma alimentação diária hiperproteica, mesmo acima do recomendado, não está relacionada com ganho de peso. Portanto, observamos a importância do acompanhamento com o nutricionista para que a suplementação com o whey protein possa ser absolutamente individualizada e adequada para cada indivíduo.

 

Whey Protein pode causa lesão renal ou hepática?

Não, dois estudos evidenciam que a suplementação com whey protein não está relacionada com lesão renal ou hepática. O estudo de Antonio et al de 2015 publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition acompanhou 48 homens e mulheres por 8 semanas e mostrou que o consumo de proteína mesmo acima dos valores diários recomendados (3,4g/kg por dia) não mostrou alteração de escorias renais. Outro estudo brasileiro de Nunes et al publicado em 2013 no Appl. Physiol. Nutrition Metabolism feito com 32 roedores onde foram separados em 4 grupos: O primeiro grupo recebeu 1,8g/kg dia de whey + exercício de força; o segundo grupo fez apenas exercícios de força; o terceiro grupo recebeu 1,8g/kg dia de whey sem exercício de força; e o quarto grupo foi o controle. Após 8 semanas de acompanhamento foram analisados os valores de creatinina para avaliar a função renal e enzimas hepáticas nos 4 grupos. O primeiro grupo teve os menores valores entre todos os grupos seguido do segundo grupo. O terceiro grupo que recebeu whey mas não fez exercício de força teve maior aumento dos marcadores entre todos os grupos. O estudo é muito interessante pois mostra que indivíduos que fazem treino de força podem ter benefícios com a suplementação de proteína em valores altos sem prejuízo para a função renal ou hepática. No entanto, indivíduos sedentários parecem não se beneficiar de suplementação de proteína acima do recomendado (até 0,8g/kg dia) o que poderia ainda estar associado com maior risco de lesão renal e hepática nesse grupo.

 

Afinal, eu devo fazer a suplementação com Whey?

Os benefícios dos suplementos de proteína são comprovados por diversos estudos para ganho de massa muscular, no auxilio ao tratamento do diabetes 2, no auxilio ao tratamento da obesidade e da síndrome metabólica e na prevenção da perda muscular excessiva relacionada ao envelhecimento. Mas, vale ressaltar que a suplementação não deve substituir alimentos e as doses devem ser sempre individualizadas, por isso a avaliação e o acompanhamento com o nutricionista é fundamental para indicar as melhores opções do mercado e para se obter apenas os benefícios nutricionais da suplementação. O acompanhamento com o médico também é essencial, principalmente, para indivíduos diabéticos, hipertensos, idosos, atletas de alta performance e indivíduos que estão em um programa de emagrecimento. Tenha sempre equilíbrio e coerência nas suas escolhas!

 

Referências:

1 – Akhavan T, Luhovyy BL, Panahi S, et al (2014) Mechanism of action of pre-meal consumption of whey protein on glycemic control in young adults. J Nutr Biochem 25:36–43. doi:10.1016/j.jnutbio. 2013.08.012

2 – Antonio J (2014) The effects of consuming a high protein diet (4.4 g/kg/d) on body composition in resistance-trained individuals. J Int Soc Sports Nutr. 2014 May 12;11:19. doi: 10.1186/1550-2783-11-19

3 – Antonio J (2015) A high protein diet (3.4 g/kg/d) combined with a heavy resistance training program improves body composition in healthy trained men and women–a follow-up investigation. J Int Soc Sports Nutr. 2015 Oct 20;12:39. doi: 10.1186/s12970-015-0100-0

4 – Jakubowicz D, Froy O (2013) Biochemical and metabolic mechanisms by which dietary whey protein may combat obesity and type 2 diabetes. J Nutr Biochem 24:1–5. doi:10.1016/j.jnutbio.2012.07. 008

5 – Chen W-C, Huang W-C, Chiu C-C, et al (2014) Whey protein improves exercise performance and biochemical profiles in trained mice. Med Sci Sports Exerc 46:1517–1524. doi:10.1249/MSS. 0000000000000272

6 – Jakubowicz D (2016) Whey Protein Induces Greater Reduction of Postprandial Glycemia and HbA1c, Weight Loss and Satiety Compared to Other Protein Sources in Type 2 Diabetes. Endocrine Society’s 98th Annual Meeting and Expo, April 1–4, 2016.

7 – Kramer IF (2015) Impact of the Macronutrient Composition of a Nutritional Supplement on Muscle Protein Synthesis Rates in Older Men: A Randomized, Double Blind, Controlled Trial. J Clin Endocrinol Metab. 2015 Nov;100(11):4124-32. doi: 10.1210/jc.2015-2352.

8 – Nunes R (2013) Effects of resistance training associated with whey protein supplementation on liver and kidney biomarkers in rats. Appl Physiol Nutr Metab. 2013 Nov;38(11):1166-9. doi: 10.1139/apnm-2013-0004

9 – Van Vliet S (2015) The Skeletal Muscle Anabolic Response to Plant- versus Animal-Based Protein Consumption. J Nutr. 2015 Sep;145(9):1981-91. doi: 10.3945/jn.114.204305

10 – Babault N (2015) Pea proteins oral supplementation promotes muscle thickness gains during resistance training: a double-blind, randomized, Placebo-controlled clinical trial vs. Whey protein. J Int Soc Sports Nutr. 2015 Jan 21;12(1):3. doi: 10.1186/s12970-014-0064-5

 

Quais cuidados com a pele os atletas devem ter quando praticam esporte?

 

Sempre que falamos em dermatologia relacionada ao esporte, pensamos quase automaticamente no dano solar por exposição direta. Porém, esquecemos que todo atleta apresenta algum tipo de contato durante a sua rotina, seja com algum equipamento necessário (capacete, luvas, calçado, bolas, protetores, etc.) ou com outro esportista.

De fato, esse contato pode provocar, em menor ou maior grau, lesão na pele e nas unhas, reduzindo assim a principal barreira de proteção contra agentes externos, e nos expondo a várias infeções bacterianas ou fúngicas.

Além disso, segundo o dermatologista Misael do Nascimento, ”outro elemento que aumenta a incidência de patologias na pele e nas unhas é o aumento da umidade, provocado, por exemplo, pelo suor,  que altera o ph da pele, favorecendo assim a colonização por agentes nocivos para o organismo.”

 

Veja as alterações dermatológicas mais comuns nos atletas:
Dermatite por atrito

A dermatite no  esportista pode ocorrer por vários fatores, uma dos mais comuns é a fricção. Esta lesão é mais frequente na região das dobras (virilha, axila e antebraço) e apresenta-se como uma placa avermelhada, sensível e, raramente, com coceira, e corresponde ao que chamamos popularmente de assaduras.

Para prevenir, deve-se evitar o uso de roupas inadequadas para a prática esportiva, principalmente nas áreas das dobras, evitando-se assim o atrito.

Miliária

É uma dermatite inflamatória causada pela obstrução das glândulas sudoríparas, o que impede a saída do suor. No atleta, ocorre por exposição a ambientes quentes e úmidos ou pelo uso de roupas sintéticas, que aumentam a umidade por reterem calor.

Apresenta-se como bolhas de água, que podem ser pequenas, transparentes e sem sinais de inflamação local, ocorrendo principalmente no tronco, pescoço, axilas e áreas de dobras.
Manter as áreas comprometidas arejadas e secas, e preferir o uso de  roupas de algodão ajudam na prevenção.

 

Micose

Tecnicamente chamada de tínea corporis, é uma das infeções fúngicas da pele mais comum. Costuma atingir a região inguinal (virilhas), coxas, nádegas, unhas e axilas, causando placas avermelhadas, intensa coceira e descamação.

É uma infecção fúngica que acomete a região genital e inguinal (virilhas), sendo a segunda micose mais comum, perdendo apenas para a tínea pedis ou o ”pé de atleta”.

 

“Pé de Atleta”

O intertrigo ou “pé de atleta”, como é chamado popularmente,  acomete homens e mulheres que usam calçados fechados por tempo prolongado e permanecem com os pés úmidos por suor ou por não secarem corretamente após o banho ou mergulho.

Apresenta-se como uma área de pele branca macerada, com odor desagradável, podendo até ocorrer descamação. Acomete principalmente a região entre os dois menores dedos dos pés, porque são locais com maior tendência à umidade e menor circulação de ar.

O intertrigo pode evoluir para uma tínea pedis ou tínea do pé, quando se associa à infecção por fungos, causada principalmente pelo hábito de andar descalço em lugares públicos. Também corresponde a um potencial risco para a saúde, uma vez que o fungo digere o extrato córneo entre os dedos, provocando fissuras que permitem a entrada de bactérias.

Tínea ungueal (onicomicose)

Lesão bastante frequente em unhas de atletas, com predomínio nas unhas dos pés em 80% dos casos, principalmente no dedo maior. Ocorre por vários fatores, como contato direto com local infectado, porém os principais fatores de risco são o uso de sapatos fechados por períodos prolongados e traumatismos que fazem com que a unha perca sua função de proteção.

O tratamento é prolongado, por um período aproximado de 3 a 6 meses, e dependendo do caso, pode ser feito via tópica ou oral.

 

Candidíase

Outra micose superficial que, em esportistas, acomete especialmente as áreas onde ocorre oclusão da pele (virilha, região entre os dedos, região inframamária, etc).  Causada por calor excessivo e umidade aumentada no local, apresenta-se como uma placa avermelhada, macerada, com leve coceira.  O diagnóstico e tratamento devem ser realizados por um médico.

Enfim, o dano solar!

O dano solar entre os atletas já é bastante conhecido, por estar associado ao envelhecimento precoce da pele e à predisposição para formação de lesões malignas.

Para evitarmos esse dano é necessário o uso correto do protetor solar, contra raios UVB e UVA, à prova d’água, que deve ser aplicado quinze minutos antes da exposição solar prolongada, sob a pele seca.  Outros fatores coadjuvantes para essa prevenção são as barreiras físicas, como bonés, camisetas, calças, e luvas com proteção UV encontradas em lojas especializadas.

Cuidar da sua pele antes, durante e após o exercício físico, favorece uma melhor performance, e evita doenças dermatológicas a médio e longo prazo. Consulte seu dermatologista, e de acordo com esporte que você pratica, ele poderá indicar as melhores medidas preventivas para seu caso.

Avanço da reposição hormonal pode favorecer mulheres na menopausa

Menopausa: quais os avanços na terapia de reposição hormonal?

Estima-se que em 2020 nos EUA, aproximadamente 50 milhões de mulheres terão mais de 51 anos de idade. Essa é a idade média em que ocorre a menopausa e chegar nesse momento não é nada fácil para algumas dessas mulheres. Mais da metade delas vai apresentar algum sintoma do climatério, desde ondas de calor ou suores noturnos até sintomas mais intensos como a mudança no humor, dificuldade de concentração, cansaço excessivo e, até, alterações de memória a curto prazo.

Apesar dos tratamentos alternativos disponíveis, o tratamento mais efetivo para esses sintomas é a terapia de reposição hormonal. Mas, dois estudos recentes mostram que apesar da disponibilidade desses tratamentos hormonais sabidamente eficazes para a menopausa poucas mulheres com estes sintomas são avaliadas ou tratadas corretamente.

Porque no passado a terapia de reposição hormonal foi relacionada ao câncer de mama?

O uso da terapia de reposição hormonal para mulheres pós menopausa caiu mais de 80% desde a divulgação dos achados iniciais do estudo Women’s Health Initiative (WHI) publicado em 2002. O WHI mostrou uma associação entre o tratamento hormonal de Estrogênio Conjugado Equino (CEE) + Medroxiprogesterona (MPA) com maior risco de câncer de mama, trombose venosa profunda, AVC e doença arterial coronariana.

No entanto, segundo artigo recente da prestigiada New England Journal of Medicine (NEJM) mesmo após 14 anos do WHI seus resultados ainda estão sendo usados inapropriadamente para se tomar decisões quanto a terapia de reposição hormonal. Isso porque no WHI as mulheres estudadas tinham em média 63 anos de idade e hoje as mulheres estão sendo tratadas com muito menos, em média entre 40 e 50 anos de idade. Outras críticas feitas são com relação aos tipos hormonais utilizados há 14 anos que são totalmente diferentes dos utilizados atualmente na terapia de reposição hormonal, as dosagens atuais são mais baixas e a via de administração também é diferente.

Porque a terapia de reposição hormonal é importante e segura para as mulheres?

O American College of Obstetricians and Gynecologists, a Endocrine Society e as Sociedades Brasileiras suportam o uso de terapia de reposição hormonal em mulheres sintomáticas, com diagnóstico recente da menopausa e que não possuem contra-indicações como: histórico familiar para o câncer de mama e/ou doença cardiovasculares. Além disso, é sabido que o risco absoluto de eventos adversos é muito menor em mulheres mais jovens do que as tratadas tardiamente. É o que evidencia outro estudo recente do NEJM onde as mulheres tratadas precocemente, até 6 anos após a menopausa, com Estradiol possuem uma redução da progressão da arterosclerose (enrijecimento dos vasos) em comparação com as mulheres que iniciam a terapia após 10 anos da menopausa ou as que não fazem a reposição hormonal. Diversos estudos evidenciam, também, que o Estradiol possui função importante no metabolismo ósseo e que a sua diminuição estaria relacionada com a maior incidência de osteoporose nas mulheres pós menopausa.

Os hormônios usados hoje são diferentes?

As novas formulações hormonais utilizadas atualmente possuem doses menores do que as usadas há 14 anos e a via de administração preferencial passou a ser transdérmica (gel). Estudos recentes mostram, também, a diferença dos efeitos entre o CEE utilizado no WHI e o Estradiol que é mais usado atualmente. Estudo retrospectivo publicado na Scientific Reports da conceituada Nature mostra que o uso do CEE está associado com maior risco de fibrilação atrial, AVC e eventos cardiovasculares adversos em relação ao Estradiol. Outro estudo publicado no JAMA mostra, também, que o uso do CEE foi associado com maior risco de trombose venosa profunda e possivelmente infarto agudo do miocárdio quando comparado com o uso do Estradiol.

Além disso, outro fator importante é que até 45% das mulheres pós-menopausa apresentam atrofia vaginal, situação que causa extremo efeito negativo na qualidade de vida sexual da mulher. Assim o advento do uso do estrogênio e da testosterona por via vaginal trouxe, também, resultados seguros e satisfatórios para essas mulheres como mostra o estudo de Stuenkel e colaboradores.

O uso da testosterona pode trazer benefícios ou é um risco para essas mulheres?

É importante lembrar que o uso da testosterona em baixas doses para mulheres pós-menopausa tem sido proposto para aquelas que, mesmo já em uso do estrogênio, ainda apresentam sintomas moderados ou graves da menopausa. O seu uso ainda é controverso e deverá ser avaliado individualmente pelo médico e por seu paciente. Muitos estudos são favoráveis ao uso da testosterona para mulheres pós menopausa, o estudo recente de Fernandes e colaboradores mostra que o uso da testosterona melhora significativamente o trofismo vaginal em mulheres pós menopausa. Outro estudo de Jovanovic e colaboradores mostra que a diminuição da produção de testosterona nas mulheres pós menopausa está ligada a maior ocorrência de depressão nesse grupo. Ainda, o estudo de Dimitrakakis e colaboradores mostra que a adesão ao tratamento com testosterona está relacionado com menor incidência do câncer de mama nas mulheres pós menopausa.

O tratamento da menopausa é multifatorial e mudanças no estilo de vida são fundamentais. Apenas o acompanhamento médico, na maioria das vezes, não é suficiente para a melhora dos sintomas da menopausa. A prática de exercícios físicos regulares, meditação, yoga, pilates, acupuntura e uma reeducação alimentar feita em conjunto com o nutricionista pode trazer enormes benefícios. Algumas mulheres podem, também, se beneficiar muito com a terapia cognitivo-comportamental feita com o psicólogo. Vale salientar a importância do médico capacitado para esclarecer e informar as opções terapêuticas disponíveis, os seus benefícios e os seus riscos, para que o manejo da menopausa seja sempre feito de forma individualizada.

Referências:

1 – JoAnn E. Menopause Management – Getting Clinical Care Back on Track. N Engl J Med 2016; 374:803-806. March 3, 2016

2 – Stuenkel CA et al. Treatment of symptoms of the menopause: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab 2015;100:3975-4011.

3 – Santen RJ et al. Competency in menopause management: whither goest the internist? J Womens Health (Larchmt) 2014;23:281-5.

4 – Gass ML, Stuenkel CA, Utian WH, LaCroix A, Liu JH, Shifren JL. Use of compounded hormone therapy in the United States: report of The North American Menopause Society Survey. Menopause 2015;22:1276-85

5 – Howard N. et al. Vascular Effects of Early versus Late Postmenopausal Treatment with Estradiol. N Engl J Med 2016; 374:1221-1231. March 31, 2016

6 – Tsai W, et al. Hormone replacement therapy and risk of atrial fibrillation in Taiwanese menopause women: A nationwide cohort study. Sci. Rep. 6, 24132; doi: 10.1038/srep24132 (2016).

7 – Smith N. et al Lower Risk of Cardiovascular Events in Postmenopausal Women Taking Oral Estradiol Compared With Oral Conjugated Equine Estrogens. JAMA Intern Med. 2014;174(1):25-34.

8 – Fernandes T. et al. Efficacy of vaginally applied estrogen, testosterone, or polyacrylic acid on vaginal atrophy: a randomized controlled trial. Menopause. 2016 Apr 13.

9 – Jovanovic H et al. Effects of estrogen and testosterone treatment on serotonin transporter binding in the brain of surgically postmenopausal women – a PET study. NeuroImage 2015, 106.

10 – Dimitrakakis C. et al. Reduced incidence of breast cancer in women adherent to testosterone or testosterone-anastrozole hormone therapy: updated interim analysis. Maturitas 2015 Vol 81, Issue 1, Page 189.

Alergia, doença ou sensibilidade: entenda as diversas reações ao glúten

Quando o assunto é o glúten podemos esperar discussões acaloradas e diversas opiniões, muitas delas divergentes, sobre os seus possíveis malefícios para a saúde. Esse fato gera muitas dúvidas na população e até entre profissionais da saúde que não conseguem chegar a uma opinião concreta baseada em evidências científicas.

Mas afinal o que é o glúten?

O glúten é uma proteína amorfa encontrada no trigo, no centeio e na cevada. O mais consumido deles é o trigo, e nele o glúten é formado, ao contrário do que se pensa, pelo processo de mistura e aquecimento das prolaminas (gliadina e a glutenina) com a água.

O glúten é considerado um dos maiores componentes alimentares que podem deflagrar um sintoma gastrointestinal.

De fato, o estudo publicado em 2011 no “American Journal of Gastroenterology” diz que “mesmo em pacientes sem doença celíaca, a ingestão do glúten pode causar sintomas gastrointestinais como dor, distensão abdominal, alteração de consistência fecal e cansaço”. Além dos sintomas gastrointestinais, parece haver uma relação do glúten com o sistema imune a nível global, o que pode explicar a ocorrência de sintomas extraintestinais relacionados com o glúten como: cefaléia, eczema ou rash cutâneo, fadiga crônica, depressão, anemia e dores articulares como mostra o estudo de Sapone e colaboradores publicado em 2012.

O glúten pode ser encontrado em alimentos como: farinha de trigo; cerveja; pães, torradas e pizzas; bolos e tortas; biscoitos, bolachas e cookies; doces e barra de cereais; cereais matinais; massas e macarrão instantâneo; molhos e temperos industrializados (tomate, molho de soja); salgadinhos e batata frita; maioria dos produtos com soja; alguns queijos, maionese e ketchup; carnes processadas e salsichas.

ALERGIA AO TRIGO, DOENÇA CELÍACA E SENSIBILIDADE AO GLÚTEN?

As alterações relacionadas com o glúten são classificadas de acordo com seu mecanismo imunológico: autoimune, alérgico e aquelas que não são autoimunes ou alérgicas. A doença celíaca (prevalência de 0,5% na população) e a alergia ao trigo (prevalência de 1% na população) são os melhores exemplos de desordens autoimunes e alérgicas relacionadas ao glúten, respectivamente. Assim, quando o glúten causa sintomas gastrointestinais na ausência de doença celíaca ou alergia ao trigo isso é considerado como sensibilidade ao glúten (GS).

A GS é uma condição que não é de natureza alérgica ou autoimune e que pode ser diagnosticada quando um indivíduo possui um sintoma gastrointestinal ou extraintestinal relacionado com a ingesta do glúten que melhora com a sua exclusão e, também, quando a doença celíaca e a alergia ao trigo foram excluídas como mostra o estudo de Catassi e colaboradores de 2013. Mais especificamente, no caso da doença celíaca: testes sorológicos (anticorpo antitransglutaminase e antiendomísio) negativos e biopsia intestinal negativa.

De fato, não é possível fazer um diagnóstico de sensibilidade ao glúten através de marcadores laboratoriais, por isso o diagnóstico é feito apenas por critérios clínicos. A GS é uma hipersensibilidade alimentar mediada pela relação entre antígenos derivados do glúten com uma reação imunológica global, ao contrário da doença celíaca onde o mecanismo é autoimune.

Não se pode confundir, também, a GS com uma intolerância alimentar porque os mecanismos são diferentes.

A intolerância alimentar, com ou sem sintomas gastrointestinais, é uma reação adversa não imunológica que ocorre quando um nutriente não é completamente digerido devido a falta de enzimas digestivas ou ao excesso desse nutriente no trato gastrointestinal como mostram os estudos de Boyce e Fasano. As intolerâncias alimentares mais comuns são a lactose do leite e a fermentados de mono, di e oligossacarídeos que apresentam sintomas diferentes da GS.
O estudo duplo-cego e randomizado de Biesiekierski sugere que mesmo em indivíduos sem a doença celíaca a ingesta do glúten é capaz de deflagrar uma resposta do sistema imune inato ou de “resposta imediata“. Isso é visto através da elevação de marcadores imunológicos e reconhecedores de patógenos como os receptores do tipo Toll (toll-like receptors). Essa resposta imunológica é completamente diferente da observada na doença celíaca que é deflagrada pela resposta imune adaptativa ou de “resposta específica“. É importante notar que a resposta imune inata é a primeira linha de defesa do nosso corpo que depende de sinalizadores químicos ou citocinas e que não confere imunidade a longo prazo. Ao contrário disso, a resposta imune adaptativa observada na doença celíaca estimula a produção de anticorpos que conferem uma resposta imunológica para reações futuras o que explica a característica dessa doença.
O estudo de Catassi mostra que estamos vivendo uma epidemia de doença celíaca e de sensibilidade ao glúten. Entre 2004 e 2010 mais de cinco mil pacientes foram avaliados pelo Centro de Pesquisa para Celíacos na Universidade de Maryland nos EUA. Desses indivíduos, 6% foram classificados como portadores de GS. Em alguns desses indivíduos os sintomas foram semelhantes ao da doença celíaca, no entanto, com maior prevalência dos sintomas extraintestinais como: alterações do humor e do comportamento, dores ósseas e articulares, fadiga crônica e câimbra musculares.

PORQUE A EXPLICAÇÃO PODE ESTAR NA “INVOLUÇÃO” DO TRIGO?

É aparente que as reações ao glúten não são limitadas à doença celíaca e reconhecemos a existência de um largo espectro de desordens relacionados ao glúten. A alta frequência de diversos sintomas e reações adversas relacionadas com a sua ingesta levantam a questão sobre o glúten: por que essa proteína é tóxica para tantos indivíduos no mundo? Uma resposta pode estar na seleção genética pela qual o trigo passou nos últimos 10 mil anos, o que aumentou significativamente a quantidade de glúten no trigo ditado por razões financeiras e não por razões nutricionais.

O trigo é usado pela humanidade há milhares de anos desde a idade média onde se consumia o Triticum mococcum e o T. Dicoccum que continham menores quantidades do peptídeo 33-mer que é “extremamente tóxico para o ser humano“, como citado pelo estudo de Molberg. Esse mesmo estudo analisa a modificação do trigo durante os anos e mostra uma grande diferença desde o trigo Einkorn que era diplóide e possuía 14 cromossomas até o que consumimos hoje, que é o hexaplóide Triticum Aestivum com 42 cromossomas. De forma interessante o estudo ainda mostra diferentes respostas dos linfócitos T intestinais (células de defesa) aos diferentes espécimes do trigo. Assim, podemos analisar que o organismo humano ainda possui diferentes respostas imunológicas e parece ser altamente vulnerável aos efeitos do glúten.

Vale ressaltar que uma alimentação com a exclusão do glúten sem a indicação médica e sem a orientação do nutricionista pode trazer danos à saúde e gerar deficiências nutricionais graves. Além disso, cabe ao profissional da saúde orientar e educar o seu paciente para evitar dietas restritivas e “da moda”, dando ênfase a programas de reeducação alimentar que possam trazer benefícios para a saúde a longo prazo. Essa revisão tem como objetivo possibilitar uma explicação dos fenômenos relacionados com o glúten e expandir nosso conhecimento sobre a sensibilidade ao Glúten. Ainda são necessários maiores estudos e ensaios clínicos randomizados para definir, a longo prazo, os malefícios do glúten em indivíduos não portadores de doença celíaca e alergia ao trigo.

Referencias Bibliográficas:

1 – Biesiekierski J et al. Gluten Causes Gastrointestinal Symptoms in Subjects Without Celiac Disease: A Double-Blind Randomized Placebo-Controlled Trial. The American Journal of Gastroenterology 106, 508-514 (2011) doi:10.1038/ajg.2010.487
2 – Sapone A, Bai JC, Ciacci C, et al. Spectrum of gluten-related disorders: consensus on new nomenclature and classification. BMC Med. 2012;10:13
3 – Catassi C, Bai JC, Bonaz B, et al. Non-Celiac Gluten sensitivity: the new frontier of gluten related disorders. Nutrients. 2013; 5(10):3839-3853.
4 – Boyce JA, Assa’ad A, Burks AW, et al. Guidelines for the Diagnosis and Management of Food Allergy in the United States: Summary of the NIAID-Sponsored Expert Panel Report. J Allergy Clin Immunol. 2010;126(6):1105-1118.
5 – Fasano A, Sapone A, Zevallos V, Schuppan D. Nonceliac glúten sensitivity. Gastroenterology. 2015;148(6):1195-1204.
6 – Sapone A, Lammers KM, Casolaro V, et al. Divergence of gut permeability and mucosal immune gene expression in two gluten-associated conditions: celiac disease and gluten sensitivity. BMC Med. 2011;9:23.
7 – Biesiekierski JR, Newnham ED, Irving PM, Barrett JS, Haines M, Doecke JD, Shepherd SJ, Muir JG, Gibson PR: Gluten causes gastrointestinal symptoms in subjects without celiac disease: a double-blind randomized placebo-controlled trial. Am J Gastroenterol. 2011, 106: 508-514. 10.1038.
8 – Molberg O, Uhlen AK, Jemsen T, Flaete NS, Fleckenstein B, Arentz-Hansen H, Raki M, Lundin KE, Sollid LM: Mapping of gluten T-cell epitopes in the bread wheat ancestors: implications for celiac disease. Gastroenterology. 2005, 128: 393-401. 10.1053/j.gastro.2004.11.003.
9 – Catassi C, Kryszak D, Bhatti B, Sturgeon C, Helzlsouer K, Clipp SL, Gelfond D, Puppa E, Sferruzza A, Fasano A: Natural history of celiac disease autoimmunity in a USA cohort followed since 1974. Ann Med. 2010, 42: 530-538. 10.3109/07853890.2010.514285.
10 – Di Sabatino A, Volta U, Salvatore C, et al. Small amounts of gluten in subjects with suspected nonceliac gluten sensitivity: a randomized, double-blind, placebo-controlled, cross-over Trial. Clin Gastroenterol Hepatol. doi:10.1016 /j.cgh.2015.01.029.

 

 

Depressão e Exercícios Físicos

Qual a relação dos exercícios físicos com a depressão?

A depressão é uma condição muito prevalente na sociedade moderna. A prática dos exercícios físicos tem mostrado trazer benefícios nos casos leves a moderados da depressão. De fato, um grande estudo de coorte publicado no Journal of the American Medical Association mostrou que os exercícios físicos são excelentes no combate a depressão! O estudo acompanhou 11 mil indivíduos durante vários anos e os resultados são impressionantes chegando a quase 20% de redução em algumas faixas etárias.

 

Como a prática de exercícios físicos pode ajudar?

A recomendação da prática de exercícios físicos ao ar livre e o convívio social que o esporte pode proporcionar são de grande valia, tendo em vista, o alto número de novos casos de depressão e o uso precoce, muitas vezes desnecessário, de medicamentos controlados. Sem dúvidas, que nos casos graves de depressão um acompanhamento especializado deve ser realizado, no entanto, a depressão grave acomete uma mínima parcela dessa população. Então amanha não esqueça de fazer o seu exercício físico, certo?

Alongamentos

Qual a importância do alongamento nos treinos?

A primeira coisa é diferenciar alongamento e treino de flexibilidade. A flexibilidade é uma valência física assim como a composição corporal; a aptidão cardiorrespiratória; e força e resistência muscular. A flexibilidade é definida como a amplitude de um movimento na articulação ou de um grupo de articulações.

 

Então, o que é alongar afinal?

Alongamento é a forma de trabalho que visa à manutenção dos níveis de flexibilidade obtidos, dentre outros objetivos. Ele é uma técnica para ganhar flexibilidade. Maior flexibilidade é sinônimo de maior qualidade de vida. Pessoas mais flexíveis conseguem, por exemplo, subir uma cadeira, pegar um objeto em um armário alto com muito mais facilidade do que uma pessoa com menor flexibilidade.

 

Mas como treinar a flexibilidade?

  1. A recomendação é realizar treinos específicos de trabalho de flexibilidade em 1 ou 2 dois dias separados na semana.
  2. Estudos também mostraram que se o aluno realizar exercícios de musculação na máxima amplitude do movimento já estaria realizando os trabalhos de flexibilidade.

 

E em relação ao alongamento nos dias de musculação ou corrida?

  1. Diversos estudos mostraram que o alongamento ANTES dos exercícios (efeito agudo ou imediato) não previne lesão. Porém, os efeitos crônicos do alongamento (ao longo do tempo) previne lesão. Ou seja, uma maior flexibilidade previne o risco de lesão devido ao aluno poder fazer maiores amplitudes de movimentos articulares.
  2. Uma prática também comum é o alongamento imediatamente APÓS o exercício. O alongamento feito após o exercício não se justifica pela existência de microtraumas musculares. Alongar neste momento não traz nenhum benefício, podendo até mesmo provocar maior dano muscular.
  3. O recomendado é realizar apenas o aquecimento antes dos exercícios para grupo muscular, com movimentos com pesos leves e algumas repetições: de 10 a 20.

Consulte e tenha sempre o acompanhamento de um profissional de educação física.

Treinamento HIIT

O que é o treino intervalado de Alta intensidade (HIIT)?

Os exercícios físicos intervalados de alta intensidade (HIIT) tem se popularizado muito no Brasil. Antes de mais nada, vale lembrar que esse tipo de treinamento não pode ser feito por qualquer pessoa, é necessária a orientação de um profissional capacitado e uma avaliação médica prévia é aconselhável.

 

O que mostram os estudos sobre o HIIT?

Fazendo uma rápida revisão da literatura encontramos três estudos muito bons:

  1. Kraemer et al (1999): mostrou que o exercício aumenta a secreção de testosterona em homens.
  2. Tjonna A. et al (2008): HIIT associado com diminuição do colesterol LDL em 17%, reduziu peso corporal e aumentou secreção de Óxido Nítrico (o que diminui a pressão arterial)
  3. Godfrey R. et al (2009): HIIT aumentou secreção de Hormônio de crescimento (GH) devido ao maior nível de lactato produzido (lactato estimula secreção do GH)

 

Com quais benefícios o HIIT está associado?

  1. Maior secreção de DHEA (hormônio precursor da testosterona e estrogênio)
  2. Melhor regulação da Insulina e do Glucagon sendo excelente para Diabetes 2.
  3. Maior liberação dos hormônios da tireóide (T3 e T4) o que favorece o metabolismo.
  4. Maior liberação do Estradiol (E2) favorece a vasodilatação arterial

Para iniciar um treinamento consulte sempre um profissional de educação física e tenha o acompanhamento do seu médico, principalmente, se você for diabético ou possuir alguma doença crônica.

Roupas de compressão

Roupas de compressão ajudam na recuperação muscular!

Sim! As roupas de compressão aumentam a recuperação muscular após exercício de resistência. É o que mostra o estudo japonês de Kazushige et al publicado recentemente no American College of Sports Medicine mostrando que usar a roupa de compressão após uma sessão de exercício de resistência facilita a recuperação da força muscular. Essa recuperação foi especialmente observada nos membros superiores dos atletas com significativo aumento da recuperação com 3 a 8 horas de uso da roupa após o exercício. O interessante é que a melhora da recuperação nos membros inferiores só ocorreu nos atletas que fizeram uso prolongado das calças de compressão… O que traz importante reflexão é: será que dormir com roupas de compressão podem melhorar a recuperação muscular após a musculação? Será que elas podem ajudar também no ganho muscular ou no emagrecimento? Isso seria fantástico e, provavelmente, essas hipóteses devem ter sido levantadas pelos pesquisadores. Claro que mais estudos precisam ser feitos mas acho estamos em um bom caminho, não é mesmo?