Consumir bebida alcoólica diminui a recuperação muscular após exercício

O consumo de bebidas alcoólicas tem aumentado incrivelmente no mundo, com crescimento de 20% nos últimos 10 anos. Infelizmente, o Brasil é um dos lideres do ranking. Mais de 70% dos homens e 60% das mulheres brasileiras, entre 12 e 65 anos, já consumiram alguma bebida alcoólica. Estima-se que pelo menos 10% dos homens brasileiros fazem uso regular de álcool (3 a 4 vezes por semana) e muitos atletas amadores e profissionais também não escapam dessa estatística.

Muitos estudos tentam avaliar os impactos do consumo de álcool na performance esportiva. No entanto, poucos avaliaram a interferência do álcool na recuperação muscular após o treino aeróbico ou de musculação, mas acredita-se que o consumo diminua a recuperação muscular devido a alteração dos níveis de cortisol, hormônio do crescimento (GH) e da testosterona.

O estudo norueguês de Anders e Lars Haugvad publicado recentemente pelo American College of Sports Medicine mostrou exatamente isso. Apesar de não obter resultados com relação a alteração aguda da recuperação muscular em atletas, o estudo mostrou que existe uma alteração hormonal importante nas primeiras 12 a 24h após o consumo de álcool.

Segundo apresentado pelos pesquisadores o álcool possui a capacidade de aumentar os níveis de cortisol e diminuir os níveis de testosterona livre. Isso acontece devido a interferência do álcool no eixo eixo hipotalâmico -> hipofisário -> gonadal, ou seja, o álcool é capaz de interferir na cascata de secreção hormonal do nosso organismo.

As conseqüências dessas alterações hormonais são: o aumento do hormônio cortisol que estimula a degradação de proteínas musculares. Ocorre a diminuição dos níveis de testosterona o que altera o crescimento muscular e faz um “down-regulation” no anabolismo muscular. De fato, nas duas situações o consumo de álcool parece levar ao menor ganho de massa muscular e a diminuição da recuperação muscular a longo prazo.

Além dos efeitos sobre os músculos o álcool também gera enormes prejuízos para a nossa saúde como: lesão das células hepáticas (em casos graves: cirrose hepática), acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), insônia e alterações na qualidade do sono, alterações cardiovasculares agudas como as arritmias, alterações cardiovasculares crônicas (aterosclerose) e pancreatite alcoólica.

Por isso, o consumo regular de álcool por praticantes de exercícios físicos, ou não, deve ser totalmente desencorajado. O importante é ter uma alimentação equilibrada rica em nutrientes e balanceada.

Bibliografia:  

1 – Haugvaud A, Haugvaud L. Ethanol Does Not Delay Muscle Recovery but Decreases Testosterone/Cortisol Ratio. American College of Sports Medicine – Medicine & Science in Spors & Exercise Vol 46, Nº11, November 2014.  

2 – Barnes MJ, Mundel T, Stannard SR. Acute Alcohol consumption aggravates the decline in muscle performance following strenuous eccentric exercise. J Sci Med Sport. 2010, 13(1): 189-93

3 – Basualto-Alarcon C, Jorquera G, Altamirano F. Testosterone signals through mTOR and androgen receptor to induce muscle hypertrophy. Med Sci Sports Exerc. 2013, 45(9): 1712-20