Protetor Solar

Protetor Solar: usar ou não?

O uso do protetor solar tem sido muito questionado, principalmente, pela presença de substâncias químicas que podem alterar a nossa fisiologia hormonal, os chamados disruptores endócrinos e pela diminuição da absorção da Vitamina D. Mas atualmente diversas marcas estão livres dessas substâncias e o custo x benefício fala a favor do seu uso. Sabemos através de diversos estudos que uso do protetor solar é muito importante para prevenir o envelhecimento precoce da pele e, também, o câncer de pele.

O que mostram os estudos?

Um estudo publicado no Annals of Internal Medicine mostra que o uso do protetor pode prevenir o envelhecimento da pele em quase 25%, vale lembrar que o resultado foi obtido após 4 anos de seguimento, ou seja, o uso do protetor solar deve ser crônico. Além disso, o estudo testou, também, a suplementação com B-Caroteno (que presumidamente pode proteger contra o câncer de pele) e para surpresa dos pesquisadores não mostrou benefícios para prevenir o envelhecimento.

Seguem aqui algumas dicas para você se proteger:

  1. Aplique o protetor solar, pelo menos 30 FPS, 15 minutos após a exposição ao sol.
  2.  Ideal é reaplicar a cada 2 horas durante o dia ou após banhar-se no mar, por exemplo.
  3. Quem tem a pele do rosto mais oleosa e com tendência a acne (cravos e espinhas), deve escolher um filtro solar em gel, oil free e não comedogênico.
  4. Evitar se expor ao sol em excesso, os níveis ideais de Vitamina D podem ser atingidos com suplementação não sendo necessária a exposição excessiva a radiação UVA.
  5. Esportistas devem usar os filtros em spray, são mais fáceis de aplicar. O uso das roupas com proteção UV também é recomendado para pratica de exercícios de longa duração.
  6. Outra dica é hidratar bem a pele, por isso beber muita água é fundamental.

Tenha bom senso e cuide sempre da sua saúde! Consulte sempre seu dermatologista.

Inflamação silenciosa

O que é uma inflamação aguda?

Quem nunca se queimou e ficou com a pele vermelha sentindo calor, dor e inchaço? Essa resposta chamada inflamação é conhecida por nós desde tempos ancestrais. Esse mecanismo é causado pela ativação de células do sistema imunológico formando uma estrutura chamada “inflammasome”, ou seja, uma rede de defesa formada por células do sistema imune. De fato, diariamente somos atacados por organismos patogênicos e ativamos nosso sistema imune formando “Inflammasomes” constantemente para nos defender.

 

E o que é uma inflamação crônica e qual sua relação com as doenças degenerativas? 

Outro tipo de inflamação esta sendo reconhecida pela ciência e sendo conhecida como inflamação “silenciosa” ou “crônica”. Surpreendentemente estão sendo observados em estudos científicos formações desses “Inflammasomes” em doenças como o Alzheimer, as doenças cardiovasculares e em processos de envelhecimento precoce. Os mecanismos celulares que causam isso estão intimamente relacionados com nosso estilo de vida e, principalmente, com nossa alimentação.

 

Então, como podemos evitar esse processo?

  1. Evitar uma dieta rica em carboidrato que está intimamente relacionado com lesões do DNA mitocondrial. O metabolismo do açúcar leva ao aumento do processo inflamatório pela via do NF-KB.
  2. Evitar ácidos graxos hidrogenados como os óleos vegetais: canola, girassol, soja, milho. Eles estimulam a produção de “Inflammasomes” e citocinas intracelulares.
  3. Abolir totalmente alimentos que você tenha intolerância da sua alimentação: a inflamação crônica intestinal gera a Disbiose Intestinal e estimula a formação de um “inflammasome” específico chamado NLRP3 que altera os processos de absorção dos nutrientes gerando inflamação generalizado no organismo.
  4. Fazer exercícios físicos todos os dias: estudos mostram efeito antiinflamatório dos exercícios devido a elevação do ácido lático e beta-hidroxibutirato que “desligam” os receptores dos macrofagos impedindo formação de Inflammasomes.

Dieta Cetogênica

Você conhece a alimentação Keto ou Cetogênica?

Primeiro precisamos entender quais são os tipos de dieta Cetogênica:

  1. Cetogênica clássica -> consiste no consumo de 75% a 80% de alimentos ricos em gordura e o restante de proteínas e carboidratos. Usada desde 1921 pela conceituada Mayo Clinic para tratar epilepsia.
  2. Cetogênica Atkins -> diferente da clássica o consumo de alimentos ricos em gordura é de 65%, permite maior consumo de proteínas e até 20g carboidratos. Usada pela equipe do hospital Johns Hopkins.
  3. Cetogênica TCM -> consiste no consumo de menor quantidade de alimentos ricos em gordura, maiores proporções de proteína e carboidratos. Isso graças ao consumo de pelo menos 50 a 60% de óleos ricos em triglicérides de cadeia média como o óleo de coco extra virgem.

 

A dieta cetogênica pode ser usada para tratar a epilepsia?

Diversos estudos comprovam a eficácia para tratamento da epilepsia em crianças e adultos. É usada por centros na Europa e nos EUA. Mas deve sempre ser feita sob supervisão médica.

 

Pode ser usada no tratamento do câncer?

Em todo mundo centros médicos associam essa alimentação aos pacientes com câncer. Isso se deve ao fato da célula cancerígena utilizar apenas glicose (carboidrato) e glutamina (proteína) para sua sobrevivência.

 

A dieta cetogênica pode fazer mal e até causar cetoacidose?

A dieta cetogênica personalizada feita com indicação por um nutricionista não causa cetoacidose. O que ocorre é a cetose, ou seja, aumento da dos corpos cetônicos (acetona, ácido acetoacético e hidroxibutirato). Esse mecanismo é fisiológico e não traz risco ao paciente. No entanto, diabéticos devem evitar a alimentação cetogênica sem orientação médica.

 

A dieta cetogênica é a alimentação mais saudável?

Como a Paleo, a cetogênica não é uma alimentação sustentável devido aos altos custos. Além disso, ela favorece a degradação do meio ambiente e uso de cativeiros (ex: criações de salmão). Dessa forma, ela não deveria ser feita por qualquer pessoa. É comum, em alguns casos, ocorrer constipação intestinal, litíase renal, diminuição crescimento em crianças e elevação do ácido úrico. A alimentação cetogênica deve ser feita apenas com objetivos específicos e sempre com acompanhamento médico e do nutricionista. Tenha sempre equilíbrio nas suas escolhas!

Tudo sobre Água Alcalina

Você sabia que 70% do seu corpo é água?

Você já parou para pensar na qualidade da água que você bebe todos os dias? E você sabia que a maioria das águas minerais tem o PH mais ácido do que o seu sangue!? Você está bebendo água da torneira no filtro e acha que está batendo um bolão? Então está na hora de você conhecer a Água Alcalina!

 

A água é a base da vida em nosso planeta, ela está presente em quase todos os elementos que conhecemos. E no nosso corpo não é diferente, somos formados por 70% de água, 20% matéria orgânica e 10% de minerais. Por isso, há muitos anos a comunidade científica tenta compreender como a composição da água pode influenciar a nossa saúde.

De fato, se pararmos para pensar, alguns dos minerais mais importantes para o nosso organismo são obtidos através do consumo da água como, por exemplo, o magnésio, o cálcio e o potássio. No entanto, a água também pode ser uma fonte de toxinas e metais pesados que podem interferir na nossa saúde. A água encanada, por exemplo, possui altas quantidades de cloro para eliminar bactérias e podem estar contaminadas com metais pesados.

 

A água é a fonte da vida!

Quando temos uma infecção grave, por exemplo, fatores inflamatórios e toxinas estão elevados no sangue, o PH sanguíneo diminui (<7,5) e inicia-se assim a acidose metabólica. Nesses casos ocorre elevação do lactato sanguíneo e o tratamento inicial é o famoso soro fisiológico, ou seja, a água!

Somos verdadeiros aquários ambulantes. Se um peixe está doente a gente troca a água e não o aquário. O mesmo acontece com o nosso corpo. Se você está hidratado com uma água de melhor qualidade, a sua saúde melhora

 

Mas o que é água alcalina?

A água alcalina possui um PH superior a 7,5, idealmente entre 8 e 10 sendo superior ao PH do corpo humano que é de 7,5. Ela deve possuir também baixo teor de cloro, de flúor e não possuir metais pesados.

 

Qual a diferença da água alcalina para a água mineral de garrafa?

Para se ter uma idéia a maioria das águas minerais vendidas possuem um PH menor do que 7,5, ou seja, são mais ácidas do que o nosso sangue. Além disso, existe a adição do flúor e a contaminação pelo Bisfenol (toxina presente no plástico). Uma boa dica é sempre verificar o rótulo das águas minerais e ver o PH da água que você está comprando.

 

Como a água alcalina pode melhorar a saúde do meu coração?

A relação da água alcalina com doenças cardiovasculares é estudada desde a década de 80, posso citar dois estudos de Eisenberg et al. (1986 e 1986) que demonstram íntima relação da deficiência de magnésio com arritmias cardíacas e a ocorrência de morte súbita cardíaca. Estudos mais recentes também mostram que a água alcalina pode diminuir a pressão arterial devido a presença de altas quantidades de magnésio. É o que mostra o estudo Barbagallo et al. (2010) onde indivíduos idosos com diabetes tiveram melhora da função endotelial e maior vasodilatação arterial com consumo da água alcalina. Outro estudo de Rylander et al. (2004) publicado no BMC Public Health Journal mostrou que pacientes com deficiências de magnésio e cálcio tiveram melhora da pressão arterial sistêmica após tratamento com água alcalina. Ainda, uma recente meta-analise de Larsson et al. (2012) publicado no American Journal of Clinical Nutrition mostrou que o consumo regular de magnésio foi inversamente proporcional a ocorrência do acidente vascular cerebral (AVC). Nesse estudo com mais de 200 mil indivíduos mostrou que o consumo de magnésio (presente na água alcalina) está associado com uma redução de 8% do risco total de ter um AVC.

 

Como a água alcalina pode prevenir a osteoporose?

 

Existe uma grande relação do PH ácido com a osteoporose. Os nosso metabolismo ósseo é extremamente sensível as alterações de PH sanguíneo. Dessa forma, quanto mais ácido é o PH maior a reabsorção óssea como mostra os estudo de Burckhartd et al. (2009) onde o consumo de água alcalina diminuiu os níveis de PTH (hormônio responsável por elevar a reabsorção óssea). Ainda, o estudo de Buclin et al. (2001) revelou que uma dieta rica em alimentos ácidos aumenta e excreção de cálcio pela urina proveniente da reabsorção óssea.

 

Como eu avalio a qualidade de uma água alcalina?

 

Ela precisa ser: inodora, incolor, insípida, ter PH entre 8 a 10, ter uma boa combinação de minerais como cálcio, magnésio e potássio, ter alta condutividade elétrica e alto poder de hidratação, ou seja, ter baixa tensão de superfície.

 

Como eu consigo a água alcalina?

 

Atualmente no Brasil estão disponíveis no mercado algumas águas minerais alcalinas. Além disso, existem filtros específicos que transformam a água da torneira em água alcalina através de uma série de filtros específicos.

 

Lembre-se que a sua saúde e da sua família dependem de você! Seja consciente nas suas escolhas, veja os rótulos dos produtos no mercado, pesquise quais os melhores produtos e quais são os mais saudáveis. Por isso, questione sempre e traga equilíbrio para a sua vida.

 

Bibliografia:

1 – Diet Acids and Alkalis Influence Calcium Retention in Bone – T. Buclin; M. Cosma; J. Biollaz Osteoporosis Internacional Journal. June 2001, Vol 12, pp 493-499

2 – Alkaline mineral water lowers boné resorption even in calcium sufficiency – E. Wynn; P. Burckhardt – Bone Journal. January 2009, Vol 44, pp 120-124

3 – Oral magnesium supplementation improves vascular function in elderly diabetic patients – M. Barbagallo, J. Dominguez, A. Galioto, A. Pineo, M. Belvedere. Magnesium Research 2010; 23 (3): 131-7

4 – Magnesium Metabolism in Hypertension and Type 2 Diabetes Mellitus – M. Barbagallo; J. Domingues; R. Lawrence American Journal of Therapeutics. August 2007 – Volume 14 – pp 375-385

5 – Dietary magnesium intake and risk of stroke: a meta-analysis of prospective studies – S. Larsson; N. Orsini and A. Wolk. Am J Clin Nutr February 2012 vol. 95 no. 2 362-366

6 – Comparison of the Mineral Content of Tap Water and Bottled Waters – A. Azoulay; P. Garzon; J. Eisenberg – Journal of General Internal Medicine 2001 Volume 16, Issue 3, pages 168–175.

Entenda qual a importância de saber seu V02 máximo antes de se exercitar

O VO2 máximo também chamado de consumo máximo de oxigênio representa a capacidade aeróbica máxima de um indivíduo. Na tradução, o VO2 seria a maior capacidade de oxigênio que uma pessoa consegue utilizar do ar inspirado enquanto faz um exercício físico aeróbico. Ele pode ser estimado por uma série de testes e fórmulas, mas seu valor exato só pode ser medido através do Teste Cardiopulmonar do Exercício (TCPE) também conhecido como Ergoespirometria. Esse exame feito pelo Cardiologista ou Médico do Esporte, acopla os dados obtidos no tradicional Teste Ergométrico, a análise dos gases expirados durante o exercício.

Além do consumo direto do oxigênio, o TCPE fornece variáveis que adicionam diversas informações sobre as respostas dos sistemas cardiovascular, respiratório, vascular pulmonar e muscular esquelético ao estresse físico, tendo especial valor na prescrição mais precisa de exercícios físicos aeróbicos e em pacientes com doenças cardiovasculares.

Qual o valor normal do VO2?
Para explicar melhor vamos considerar um indivíduo em repouso, lendo um livro, por exemplo. O VO2 desse indivíduo em repouso poderia ser estimado em aproximadamente 3,5 ml/(kg.min) o que é também chamado de 1 MET.

O MET ou equivalente metabólico é uma unidade que representa o consumo de oxigênio no repouso, ou seja, 1 MET = 3,5 ml/(kg.min). No entanto, esse valor pode variar muito entre as pessoas devido a idade, sexo, hábitos, hereditariedade e condicionamento cardiovascular.

Espera-se de um homem saudável que ele alcance no esforço um VO2 máximo em torno de 35 a 40 ml/(kg.min), ou seja, 10 vezes o VO2 de “repouso“ (ou 10 METS).

Atletas de elite chegam a alcançar um VO2 máximo de 70 ml/(kg.min), ou seja, conseguem aumentar em até 20 vezes o VO2 de repouso. Já as mulheres possuem tipicamente um VO2 40-60% menor do que os homens, em torno de 27 a 30 ml/(kg.min). Vale lembrar que o VO2 máximo pode aumentar com o treinamento e diminuir com a idade.

 Quem precisa fazer um Teste Cardiopulmonar do Exercício para medir o VO2?
– Atletas amadores para prescrição adequada de exercícios
– Atletas profissionais para acompanhamento de treinamento
– Pessoas com queixas de cansaço ou falta de ar no exercício.
– Avaliação de resposta de medicamentos (em hipertensos, por exemplo)
– Para prescrição de exercícios para cardiopatas ou pneumopatas
– Seleção de pacientes para transplante cardíaco ou pulmonar
– Avaliação da gravidade e prognóstico da insuficiência cardíaca ou pneumopatias crônicas.
– Grandes obesos e aqueles que vão ser submetidos a cirurgia bariátrica
– Para risco cirúrgico ou pré-operatório

Pacientes com doenças arteriais dos membros inferiores com um VO2  baixo podem ter alguma doença no coração?

Durante o esforço é normal que o consumo de oxigênio suba progressivamente em qualquer indivíduo. Quando isso não acontece, o médico deve investigar, principalmente, doenças como a insuficiência cardíaca e as doenças pulmonares (pneumopatias crônicas). Segundo a classificação da American Heart Association (AHA) um VO2 pico <20 ml/(kg.min) já pode significar doença.

VO2 máximo é a mesma coisa que Limiar Anaeróbio?
Não, o Limiar Anaeróbio (LA) ou 1º Limiar Ventilatório é o ponto do exercício no qual inicia-se o acúmulo de lactato no sangue, com conseqüente tamponamento pelo sistema do bicarbonato, elevação da produção de gás carbônico (VCO2) e necessidade de aumento da ventilação para a sua excreção. Ao contrario do que se pensa, no exercício respiramos mais rápido não porque precisamos de mais oxigênio mas para retirar o CO2 produzido pelas células.

Há também o 2º Limiar Ventilatório, ou Ponto de Compensação Respiratória, que é o momento no qual se detecta a incapacidade do sistema metabólico em tamponar a acidose progressiva, resultando na necessidade de se excretar maior quantidade de CO2 através de maior hiperventilação.

Porque o VO2 e o Limiar Anaeróbio (LA) são importantes para prescrever o exercício?
Os limiares 1º e 2º são importantes para a prescrição do exercício pois realizá-lo muito abaixo do 1º Limiar não promove condicionamento, e muito próximo ou acima do 2º Limiar traz o risco de se trabalhar em acidose descompensada, o que não é saudável. O percentual do VO2 no LA está em torno de 50% do VO2 máximo em indivíduos normais, elevado a mais de 70% em atletas e rebaixado a cerca de menos de 30% em doentes graves.

O Teste Cardiopulmonar do Exercício só serve para medir o VO2?
Não, além da avaliação do VO2 máximo, do LA e do Ponto de Compensação respiratória, o exame avalia o comportamento da pressão arterial antes, durante e após o exercício. Avalia também a variação da frequência cardíaca no esforço e na recuperação, podendo ajudar no diagnóstico da asma induzida pelo exercício e as alterações patológicas cardiovasculares como o infra-desnivelamento do segmento ST e as arritmias cardíacas malignas. Além disso, diversas variáveis são avaliadas pelo médico no TCPE como o Pulso de Oxigênio, os equivalentes ventilatórios VE/VCO2 e VE/VO2, VE/CO2 Slope, a Reserva Ventilatória,  o T ½, entre outros…

Vou iniciar um treinamento ou quero emagrecer, vale a pena fazer um TCPE?
Sim, o mais importante é que o TCPE vai excluir possíveis contra-indicações que você possa ter para fazer exercício, principalmente os de alta intensidade. O Teste agregará segurança não somente para você, mas também para toda equipe de profissionais que lhe acompanham (médicos, nutricionistas, educadores físicos e o fisioterapeutas). Além disso, com a realização de exames seriados é possível que você avalie e quantifique a melhora da sua performance.

Bibliografia:
AHA Scientific Statement – Exercise Standards for Testing and Training. Gerald F. Fletcher; Gary J. Balady, MD; Ezra A. Amsterdam. March 3, 2015.
Descomplicando a Ergoespirometria para o Cardiologista Clínico – DERCAD/RJ – SOCERJ – Fernando Cesar de Castro e Souza. Volume 7, 2010
Arena A, Myers J, Aslam SS, et al. Peak VO2 and VE/ VCO2 slope in patients with heart failure: A prognostic comparison. Am Heart J 2004;147:354–60.
Corrà U, Mezzani A, Bosimini E, et al. Ventilatory response to exercise improves risk stratification in patients with chronic heart failure and intermediate functional capacity. Am Heart J 2002;143:418-26.
Arena A, Myers J, Abella J, et al. Development of a ventilatory classification system in patients with heart failure. Circulation. 2007;115:2410-2417.
Arena A, Myers J, Abella J, et al. The Ventilatory classification system effectively predicts hospitalization in patients with heart failure. J Cardiopulm Rehabil 2008;28:195–198.
Arena A, Myers J, Abella J, et al. The partial pressure of resting end-tidal carbon dioxide predicts major cardiac events in patients with systolic heart failure. Am Heart J 2008;156:982-88.
Sun X-G, Hansen JE, Beshai JF, et al. Oscillatory Breathing and Exercise Gas Exchange Abnormalities Prognosticate Early Mortality and Morbidity in Heart Failure. J Am Coll Cardiol 2010;55:1814–23.
Klainman E, Fink G, Lebzelter J, et al. The relationship between left ventricular function assessed by multigated radionuclide test and cardiopulmonary exercise test in patients with ischemic heart disease. Chest 2002;121:841- 845. 8. Belardinelli

Alimentos em latas e plásticos podem alterar os hormônios e o metabolismo

 

Os desreguladores hormonais, também conhecidos como disruptores endócrinos, são substâncias químicas que estão presentes no meio ambiente e possuem propriedades suscetíveis a desequilibrar o sistema endócrinode um organismo humano. Diversos disruptores endócrinos são conhecidos. A maioria é produzida pela indústria, fazendo com que o ser humano entre em contato diário com eles, por meio da contaminação de produtos, alimentos, da poluição do ar ou até da água.

Primeiro precisamos entender como os disruptores endócrinos atuam:

– Podem mimetizar hormônios naturais do organismo como o estrogênio (hormônio predominante na mulher), androgênios (hormônios predominantes nos homens) e, possivelmente, hormônios tireoidianos.

– Podem antagonizar hormônios ligando-se com receptores celulares, bloqueando a ligação de hormônios em seus receptores. Assim, a sinalização hormonal passa a não ser eficiente, podendo ocorrer falhas de metabolização e/ou falhas de resposta hormonal.

O uso em larga escala dos disruptores endócrinos é uma preocupação para os órgãos públicos de saúde, principalmente após a proibição do químico Bisfenol A (BPA) em mamadeiras nos EUA devido a pesquisas apontando que a exposição ao BPA poderia alterar as funções cerebrais e o comportamento de recém-nascidos e do feto ainda no útero. Devido à importância do tema, a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) lançou a campanha “Diga não ao Bisfenol A, a vida não tem plano B“ contra o uso do BPA.

De fato, o BPA, encontrado em plásticos e resinas pode possuir potencial para alterar o sistema endócrino, modificando o sistema hormonal do organismo, gerando prejuízos irreversíveis ao indivíduo, entre eles:

– Obesidade:O estudo de Trasande et al publicado na JAMA em 2012 (fator de impacto: 35.0) mostra uma quantidade de BPA maior na urina de crianças obesas.

– Hipogonadismo: O estudo de Abdel-Maksoud et al publicado em 2015 no Journal da Endocrine Society sugere que o BPA possa interferir no processo de produção hormonal testicular de adultos devido à diminuição da expressão do LH e FSH.

– Câncer
: O estudo de Faulk et al publicado em 2015 sugere que o BPA possa favorecer a hipermetilação do DNA e estaria relacionado ao aparecimento de doenças como o câncer, por exemplo.  Ainda, outro estudo in-vitro de Calderon-Gierszal et al publicado também em 2015 no Plos One mostra que células tronco prostáticas humanas são suscetíveis e se modificam com a exposição ao BPA.

Diversas pesquisas são voltadas para o BPA, mas ele não é o único. Conheça outras substâncias conhecidas:

– Ftalatos: Encontrados em embalagens de plástico, brinquedos, equipamentos médicos e PVC. O Estudo de Meeker JD et al de 2014 mostra que a exposição ao ftalato pode diminuir em até 29% o desenvolvimento sexual de meninos e diminuir os níveis de testosterona em homens e mulheres entre 40 a 60 anos de idade. Também está associado com a obesidade: estudo recente de Buckley JP et al de 2016 mostra aumento do IMC (índice de massa corporal) de meninos expostos aos Ftalatos.

– Perfluoroquímicos (PFCs): Encontrados em plásticos resistentes ao calor, superfícies antiaderentes de panelas e na indústria têxtil. O estudo de Kannan et al de 2002 mostra que os PFCs podem estar relacionados com o hipotireoidismo, doenças do sistema imune, hipogonadismo e o câncer.

– Benzofenona: Substância encontrada no protetor solar (Gonzalez et al). O estudo de Suzuki et al publicado em 2005 no Toxicology and Applied Pharmacology sugere que as benzofenonas possuem capacidade de alterar a atividade estrogênica in vitro de células mamárias. Os riscos para a saúde da Benzofenona ainda não são esclarecidos, sendo necessários maiores estudos.

– Octilfenol: Substancia utilizada pela indústria têxtil, plásticos, acrílico, usado como emulsificante agrícola, produção do papel e reciclagem. Estudo de Sweeney et al publicado no Journal da Endocrine Society em 2013 mostra que a exposição de fetos ao Octilfenol inibiu a secreção de FSH levando a diminuição do tamanho testicular.

– Fitoestrógenos: Substancias naturais presentes em plantas que possuem atividade hormonal, como a genisteína, encontrada em produtos derivados da soja. São elas: Genisteína, Daidzeína, Naringenina e a Apigenina. Essas substancias possuem atividade estrogênica, e diversas pesquisas tentam avaliar os possíveis riscos de menarca precoce e de câncer de mama com o consumo exagerado dessas substâncias. No entanto, como mostram os estudos de Swann et al de 2013 e de Chakraborty et al 2012, ainda são necessários maiores estudos para avaliar o real impacto dessas substâncias na saúde do homem.

Como ficar longe dos desreguladores endócrinos?
– Evitar alimentos ou bebidas industrializadas com embalagens plásticas;
– Evitar alimentos ou bebidas enlatadas;
– Evitar consumir bebidas em garrafas plásticas e copos plásticos;
– Não aquecer sacos, recipientes ou embalagens plásticas no microondas;
– Não consumir bebidas e alimentos quentes em embalagens plásticas;
Lavar muito bem alimentos com água antes do consumo;
– Evitar panelas com superfície antiaderente
– Não consumir derivados da soja em excesso, especialmente, homens.
– Não utilizar papel filme PVC para guardar alimentos;
– Prefira alimentos naturais e orgânicos.

Referências Bibliográficas:
1 – L. Trasande; T. Attina; J. Blustein et al. Association Between Urinary Bisphenol A Concentration and Obesity Prevalence in Children and Adolescents. JAMA. 2012;308(11):1113-1121. doi:10.1001/2012.jama.11461
2 – F. Abdel-Maksoud, R. Leasor, K. Butzen et al. Prenatal Exposures of Male Rats to the Environmental Chemicals Bisphenol A and Di(2-Ethylhexyl) Phthalate Impact the Sexual Differentiation Process. Endocrine Society Journal 2015 Vol 156. doi: 10.1210/en.2015-1077
3 – C. Faulk, H. Kim, R. Jones et al. Bisphenol A-associated alterations in genome-wide DNA methylation and gene expression patterns reveal sequence-dependent and non-monotonic effects in human fetal liver. Environmental Epigenetics, 2015, 1–11. doi: 10.1093/eep/dvv006
4 – E. Calderon-Gierszal, G. Prins. Directed Differentiation of Human Embryonic Stem Cells into Prostate Organoids In Vitro and its Perturbation by Low-Dose Bisphenol A Exposure. Plos One 2015 doi: 10.1371/journal.pone.0133238
5 – Meeker JD, Ferguson KK. Urinary phthalate metabolites are associated with decreased serum testosterone in men, women, and children from NHANES 2011-2012. J Clin Endocrinol Metab. 2014 Nov;99(11):4346-52
6 – Buckley JP , Engel SM , Braun JM et al. Prenatal phthalate exposures and body mass index among 4 to 7 year old children: A pooled analysis. Epidemiology (Cambridge, Mass.) 2016.
7 – Estrogenic activity of US drinking waters: A relative exposure comparison. American Water Works Association. November 2010 Volume 102 Number 12
8 – Casajuana, N. & Lacorte, S., 2004. New Methodology for the Determina- tion of Phthalate Esters, Bisphenol A, Bisphenol A Diglycidyl Ether, and Nonylphenol in Commercial Whole Milk Samples. Jour. Agri- cultural & Food Chem., 52:12:3702.
9 – Maragou, N.C.; Lampi, E.N.; Thomaidis, N.S.; & Koupparis, M.A., 2006. Determination of Bisphenol a in Milk by Solid-Phase Extraction and Liquid Chromatography–Mass Spectrometry. Jour. Chromatogra- phy A, 1129:2:165.
10 – R. Zamoiski, Elizabeth K. Cahoon, D. et al. Self-reported sunscreen use and urinary benzophenone-3 concentrations in the United States: NHANES 2003–2006 and 2009–2012. Environmental Research Volume 142, October 2015, Pages 563–567.
11 – H. Gonzalez; A. Farbrot; O. Larko et al. Percutaneous absorption of the sunscreen benzophenone-3 after repeated wholebody applications, with and without ultraviolet irradiation. British Journal of Dermatology, v. 154, p. 337-340, 2006.
12 – T. Suzukia, S. Kitamuraa, R. Khota et al. Estrogenic and antiandrogenic activities of 17 benzophenone derivatives used as UV stabilizers and sunscreens. Toxicology and Applied Pharmacology. Volume 203, Issue 1, 15 February 2005, Pages 9–17.
13 – T. Sweeney, L. Nicol, J. F. Roche et al. Maternal Exposure to Octylphenol Suppresses Ovine Fetal Follicle-Stimulating Hormone Secretion, Testis Size, and Sertoli Cell Number. Endocrine Society Journal 2013. doi: 10.1210/ endo.141.7.7552
14 – Swann R., Perkins K., Velentzis L. et al. The DietCompLyf study: a prospective cohort study of breast cancer survival and phytoestrogen consumption. Maturitas. 2013 Jul;75(3):232-40. doi: 10.1016/j.maturitas.2013.03.018.
15 – Chakraborty T.; Alicea E; Chakraborty S. et al. Relationships between urinary biomarkers of phytoestrogens, phthalates, phenols, and pubertal stages in girls. Adolesc Health Med Ther. 2012 Jan 6;3:17-26. doi: 10.2147/AHMT.S15947. eCollection 2012.

Consumir bebida alcoólica diminui a recuperação muscular após exercício

O consumo de bebidas alcoólicas tem aumentado incrivelmente no mundo, com crescimento de 20% nos últimos 10 anos. Infelizmente, o Brasil é um dos lideres do ranking. Mais de 70% dos homens e 60% das mulheres brasileiras, entre 12 e 65 anos, já consumiram alguma bebida alcoólica. Estima-se que pelo menos 10% dos homens brasileiros fazem uso regular de álcool (3 a 4 vezes por semana) e muitos atletas amadores e profissionais também não escapam dessa estatística.

Muitos estudos tentam avaliar os impactos do consumo de álcool na performance esportiva. No entanto, poucos avaliaram a interferência do álcool na recuperação muscular após o treino aeróbico ou de musculação, mas acredita-se que o consumo diminua a recuperação muscular devido a alteração dos níveis de cortisol, hormônio do crescimento (GH) e da testosterona.

O estudo norueguês de Anders e Lars Haugvad publicado recentemente pelo American College of Sports Medicine mostrou exatamente isso. Apesar de não obter resultados com relação a alteração aguda da recuperação muscular em atletas, o estudo mostrou que existe uma alteração hormonal importante nas primeiras 12 a 24h após o consumo de álcool.

Segundo apresentado pelos pesquisadores o álcool possui a capacidade de aumentar os níveis de cortisol e diminuir os níveis de testosterona livre. Isso acontece devido a interferência do álcool no eixo eixo hipotalâmico -> hipofisário -> gonadal, ou seja, o álcool é capaz de interferir na cascata de secreção hormonal do nosso organismo.

As conseqüências dessas alterações hormonais são: o aumento do hormônio cortisol que estimula a degradação de proteínas musculares. Ocorre a diminuição dos níveis de testosterona o que altera o crescimento muscular e faz um “down-regulation” no anabolismo muscular. De fato, nas duas situações o consumo de álcool parece levar ao menor ganho de massa muscular e a diminuição da recuperação muscular a longo prazo.

Além dos efeitos sobre os músculos o álcool também gera enormes prejuízos para a nossa saúde como: lesão das células hepáticas (em casos graves: cirrose hepática), acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), insônia e alterações na qualidade do sono, alterações cardiovasculares agudas como as arritmias, alterações cardiovasculares crônicas (aterosclerose) e pancreatite alcoólica.

Por isso, o consumo regular de álcool por praticantes de exercícios físicos, ou não, deve ser totalmente desencorajado. O importante é ter uma alimentação equilibrada rica em nutrientes e balanceada.

Bibliografia:  

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Suco de beterraba aumenta a força muscular e combate a hipertensão

A Beterraba possui inúmeros benefícios para a nossa saúde, ela surpreendeu o mundo ao se descobrir que uma de suas proteínas, a hemoglobina vegetal, poderia substituir o sangue humano. Essa pesquisa sueca trouxe grande esperança para que, em um futuro próximo, possamos usar o “sangue vegetal“ em transfusões sanguíneas. O Óxido Nítrico (ON) é uma importante molécula presente nas células do nosso corpo. Ele é produzido pelo próprio organismo a partir da oxidação do aminoácido L-arginina. De fato, o organismo é capaz de sintetizar sozinho o ON quando não existem deficiência nutricional de aminoácidos. Além da produção endógena é possível também aumentar os níveis de ON através do consumo do suco de beterraba ou suplementação com o nitrato. Quando bebemos o suco de beterraba, por exemplo, absorvemos inicialmente o nitrato pela mucosa da boca e pelo estômago. Ele é carreado então até os músculos onde é estocado na forma inativa de nitrito.

 Mas o que é e para que serve o Nitrato?

O Nitrato é um ânion inorgânico que pode ser obtido na dieta através do consumo de vegetais como o espinafre, o alface, a rúcula e, principalmente, a beterraba. Uma das funções fundamentais do Nitrato presente na beterraba é aumentar os níveis de ON nas células do organismo. O ON por sua vez é o responsável pela vaso-dilatação dos vasos sanguíneos o que aumenta o fluxo sanguíneo para os músculos e diminui a pressão arterial sistêmica o que facilita o trabalho do nosso coração. Mas o Nitrato tem se mostrado ser muito mais do que isso, estudo recente publicado no Journal do American College of Sports Medicine mostra que, além de aumentar o fluxo de sangue nos músculos, o consumo do suco de beterraba pode aumentar isoladamente o poder de contração dos músculos.

Como o consumo do suco de beterraba pode aumenta a força dos músculos?

Durante o exercício físico ocorre um aumento de fluxo sanguíneo pelos músculos, isso ocorre para que o aporte de nutrientes (oxigênio e glicose) cheguem rapidamente aos miócitos (células musculares). Além disso, a formação de energia (ATP) pelos miócitos faz com que a produção de gás carbônico (CO2) aumente consideravelmente nos músculos levando a conseqüente diminuição do PH, ou seja, as células musculares ficam mais ácidas. Essa acidez estimula a conversão de Nitrito -> Nitrato -> ON que atua diretamente nos capilares sanguíneos musculares fazendo vaso-dilatação o que aumenta o aporte de oxigênio e de glicose para os miócitos. Além desse efeito o ON comprovadamente atua diretamente nos miócitos aumentando o influxo de cálcio e a ação mitocondrial, ou seja, ocorre maior produção da ATP e a eficiência muscular é maior.

Beber suco de beterraba então aumenta a performance esportiva?

A maioria dos suplementos alimentares para o pré-treino são feitos a base de vaso-dilatadores arteriais sendo o mesmo ou similar mecanismo pelo qual atua o nitrato do suco de beterraba. Será então que tomar suco de beterraba ajuda no treino? Sim, o estudo de Bailey et al (2009) mostra uma melhora significativa no VO2 máximo (consumo máximo de oxigênio) de ciclistas amadores em até 10%. No entanto, esse benefício não foi observado em ciclistas profissionais como mostra os estudo de Bescos et al (2011). Mas, um estudo grande recente de Wylie et al (2013) mostrou que com a suplementação de nitrato houve um aumento da tolerância ao esforço de até 25% em ciclistas e maratonistas, amadores e profissionais, além de um aumento no VO2 de pelo menos 3%.

Porque o suco de beterraba é bom para o coração e como ele combate a hipertensão?

A hipertensão arterial é uma das doenças mais prevalentes do mundo e extremamente silenciosa. Seu tratamento se baseia em uma série de medicações e, principalmente, na mudança dos hábitos de vida com exercícios físicos e uma dieta equilibrada. De fato, mudar o estilo de vida pode diminuir a necessidade de medicamentos e até fazer com que a doença regrida. Um estudo muito recente de Kapil et al (2015) mostrou o incrível resultado de que o consumo de apenas um copo de 250ml de suco ou uma sopa de beterraba por dia diminui muito a pressão sistólica e diastólica de pacientes hipertensos devido a vaso-dilatação periférica. Um dos grandes problemas a hipertensão arterial é a sobrecarga cardíaca, nos pacientes não tratados as conseqüências podem ser terríveis cursando com quadros de insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio. Não há dúvidas de que o consumo do suco de beterraba diminui a pressão arterial o que facilita o trabalho do coração seja em hipertensos ou pessoas saudáveis.

Então afinal quanto eu devo tomar o suco de beterraba para ter esses benefícios?

O recomendado pelo American Heart Association para hipertensos é o consumo de 250ml de suco o sopa de beterraba por dia. No entanto, para atletas o consumo do suco no pré-treino é o recomendado, 250ml de suco 30 minutos antes são capazes de aumentar a força de contração muscular e o consumo de oxigênio como mostram os estudos. O importante é ter equilíbrio na alimentação, não apenas o suco de beterraba mas outros vegetais podem gerar os mesmos benefícios como o espinafre, o alface e a rúcula. Agora a escolha é com você!

 

Referências:

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3 – Brescos et al. Acute Administration of inorganic nitrate reduces VO2peak in endurance athletes. 2011. Med Sci in Sports Exerc Vol 43 / Número 10 (1979-1986). American College of Sports Medicine

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5 – Haider et al. Nitrate Supplementation Enhances the Contractile Properties of Human Skeletal Muscle. 2013. Med Sci in Sports Exerc Vol 46 / Número 12 (2234-2264). American College of Sports Medicine

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7 – Kapil et al. Dietary Nitrate Provides Sustained Blood Pressure Lowering in Hypertensive Patients

A Randomized, Phase 2, Double-Blind, Placebo-Controlled Study. 2015 Hypertension. 65 (320-327).

Terapia de reposição de testosterona em homens é saudável? Saiba mais

A terapia de reposição com testosterona (TRT) no homem é um assunto polêmico, principalmente, quando relacionado com o risco cardiovascular dos indivíduos com mais de 50 anos de idade. De fato, no início de 2014 dois estudos científicos foram publicados reportando o aumento do risco cardiovascular em homens que receberam reposição de testosterona1,2. Esses artigos ganharam grande repercussão na mídia principalmente devido ao aumento na TRT nos últimos anos para tratamentos da andropausa e o hipogonadismo. O assunto ganhou maior mídia quando publicado na revista The New York Times com o titulo “Overselling Testosterone, Dangerously3. O impacto desses estudos foi tão grande que trouxe a atenção do público e das sociedades médicas em torno do assunto. Alguns médicos chegaram a suspender prescrições que continham testosterona e outros alertaram para possíveis riscos da TRT em homens com deficiência. Diversos centros tradicionais especializados em reposição   com   testosterona nos   Estados   Unidos   da   América   (EUA)   como   a   Mayo Clinic Foundation for Medical Education and Research iniciaram uma busca científica para analisar se realmente a reposição de testosterona teria alguma relação com o risco cardiovascular4. Assim como eles, outras escolas em todo mundo levantaram a questão para pesquisa que associava o risco cardiovascular e a TRT.

 

A deficiência de testosterona nos homens com mais de 50 anos é uma síndrome clínica caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas em combinação com baixos níveis de testosterona5,6, apesar de não ter valores bem estabelecidos para início da terapêutica, defini-se a deficiência de testosterona com valores de testosterona total sérica menores do que 300-400 ng/dL5,6. A reposição com testosterona para o tratamento em homens com mais de 50 anos é comumente realizada na forma em gel transcutâneo7, apesar da administração via oral e injetável serem também utilizadas. Os sintomas da deficiência de testosterona incluem a diminuição da sensação de bem estar, diminuição da libido, diminuição da disposição, irritabilidade, disfunção erétil, depressão, diminuição da massa muscular, aumento do índice de massa corporal e percentual de gordura corporal5,6,8. O objetivo da reposição de testosterona é aliviar os sinais e sintomas do hipogonadismo com melhora da função e desejo sexual9,10, aumento da disposição, sensação de bem estar, aumento da vitalidade10,11, aumento da massa muscular11,12,13, diminuição da cintura abdominal14,15, diminuição da gordura corporal11,16, aumento da densidade mineral óssea17,18, melhora da sensibilidade insulínica19,20,21, diminuição da glicemia em pacientes diabéticos14,22, e melhora dos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) em pacientes diabéticos do tipo II12,14,16,18.

 

UMA DEFICIÊNCIA NEGLIGENCIADA

 

A deficiência de testosterona é extremamente comum nos homens com mais de 50 anos e, na maioria das vezes, o diagnóstico é negligenciado ou não identificado pelo médico clínico. A prevalência da deficiência de testosterona sintomática chega a 13% dos homens com mais de 50 anos no EUA, com uma incidência de 12 novos casos a cada 1000 indivíduos a cada ano nos EUA e na Europa23. Além disso, alguns indivíduos estão mais sujeitos ao desenvolvimento da deficiência de testosterona como homens com diabetes tipo II, obesos, pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e pacientes com uso crônico de opióides23.

 

O uso de produtos e prescrições com testosterona cresceram substancialmente na última década24,25. No entanto, em 2007 o Food and Drug Administration (FDA), órgão governamental dos EUA responsável pelo controle dos alimentos e medicamentos, mostrou que menos de 5% dos homens com hipogonadismo ou andropausa estavam sendo tratados4. O aumento nas prescrições com testosterona, principalmente na forma em gel7, resultou do aumento da preocupação, de médicos e da população, com a deficiência de testosterona e os evidentes benefícios da reposição. Essa preocupação trouxe a tona a importância e o conceito de “menopausa masculina“ ou andropausa e que efetivamente o tratamento com TRT traria enormes benefícios para o indivíduo. De fato, evidências científicas das últimas 4 décadas mostram que baixos níveis séricos de testosterona estão associados com maior risco de aterosclerose, aumento do risco e da mortalidade cardiovascular4. Notadamente, o US Health Care Expendures, órgão norte-americano de controle de custos com a saúde, projeta que a deficiência de testosterona estará relacionada somente nos EUA, nos próximos 20 anos, com 1.3 milhões de novos casos de doenças cardiovasculares, 1.1 milhões de novos casos de diabetes tipo II e mais de 600.000 casos de osteoporose relacionados com fraturas em homens com mais de 50 anos de idade26.

 

O IMPACTO DA DEFICIÊNCIA DE TESTOSTERONA NO HOMEM

 

Nos EUA metade dos homens saudáveis com idade entre 50 e 70 anos possuem níveis de testosterona total sérica 50% menor do que homens saudáveis entre 20 e 40 anos de idade27. No entanto, o declínio dos níveis de testosterona pode ter início aos 30 anos de idade e, nos últimos anos tem sido cada vez mais precoce. Nos EUA, por exemplo, observa-se que a cada ano os níveis de testosterona nos homens é cada vez menor28. Esse declínio progressivo observado na população parece ter uma intima relação com a presença de substâncias químicas e industriais que alteram a produção hormonal do organismo humano, também conhecidos como “disruptores endócrinos“29. O Bisfenol A (BPA) e os Ftalatos, por exemplo, utilizados na fabricação de plásticos significativamente reduzem os níveis de testosterona em homens e mulheres sendo observado, principalmente, nas crianças entre 6 e 12 anos de idade29. Essa diminuição precoce dos níveis de testosterona total na população traz enorme preocupação visto o importante papel hormonal da testosterona no desenvolvimento sexual dos indivíduos jovens e na manutenção da capacidade funcional no homem com mais de 65 anos de idade30.

 

OS BENEFÍCIOS DA TERAPIA COM TESTOSTERONA

 

Em 6 de agosto de 2015 foi publicado no European Heart Journal da European Society of Cardiology (ESC) o maior estudo observacional até o momento relacionando a TRT e o risco cardiovascular. Nesse estudo de Barua et al31, retrospectivo, os pesquisadores examinaram os efeitos da TRT e os desfechos cardiovasculares comparando as incidências de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e mortalidade por todas as causas entre diferentes sub-populações tratadas e não tratadas. Esse estudo acompanhou 83.010 homens com mais de 65 anos de idade, todos sem histórico de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral que foram tratados com TRT entre 1999 e 2014. Dos indivíduos estudados apenas 65% deles atingiram níveis normais de testosterona total após o início da TRT. Esse grupo obteve significativa diminuição de eventos cardiovasculares e morte por todas as causas em comparação com os pacientes que receberam a reposição de testosterona mas não atingiram valores normais de testosterona total após o tratamento. O grupo que não recebeu a TRT teve maior número de eventos cardiovasculares e morte por todas as causas em comparação com os pacientes que receberam a terapia de reposição com testosterona. Esse foi o primeiro que evidenciou a relação entre a normalização dos níveis de testosterona total com maior redução da mortalidade, infartos agudos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

 

De fato, medir os benefícios e prováveis malefícios da TRT pode ser um grande desafio para futuras pesquisas visto a dificuldade do diagnóstico e do acompanhamento da deficiência de testosterona. Novos ensaios clínicos serão necessários para responder quais os possíveis efeitos a longo prazo da TRT e de   eventuais   malefícios,  uma vez que,   níveis supra-fisiológicos de testosterona rotineiramente são encontrados em pacientes em TRT com controle inadequado do tratamento. Apesar disso, os benefícios da normalização dos níveis de testosterona com a TRT para o homem com deficiência de testosterona parece sobrepujar esses possíveis malefícios tamanha a notável melhora de diversos fatores de risco cardiovasculares: hipertensão arterial sistêmica, perfil lipídico e aterosclerose, sensibilidade insulínica e diminuição gordura corporal. Além disso, deve-se considerar a significativa melhora sexual e cognitiva do homem, da prevenção de doenças crônicas como o Alzheimer e a osteoporose, na redução da mortalidade por todas as causas e na manutenção da capacidade funcional no homem após os 65 anos de idade.

 

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